Descarga poluente no rio Paiva em Arouca motiva pedido de intervenção à APA e UE

Descarga poluente no rio Paiva em Arouca motiva pedido de intervenção à APA e UE
Foto: CM Arouca
| Norte
Porto Canal/Agências

Uma descarga poluente que deixou verde parte do rio Paiva, em Arouca, motivou uma denúncia à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e um pedido de intervenção por parte da União Europeia, revelou esta quinta-feira o autor da queixa.

A intervenção de Pedro Bastos, deputado do CDS-PP no referido município do distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto, surge na sequência de poluição detetada na semana passada no Paiva.

“Entre os dias 12 e 13 de setembro, o rio apresentou uma cor verde intensa, que impossibilitava ver o fundo mesmo em zonas de pouca profundidade. O fenómeno foi amplamente denunciado por populares”, explica o eleito local em nota à Lusa, situando o problema no troço nas praias fluviais do Vau, do Areinho e de Meitriz.

“Em Nodar, em São Martinho das Moitas, a água já não apresentava alteração, mas voltava a encontrar-se a mesma coloração verde em Cabril”, acrescenta, concluindo assim que “a origem do problema estará entre Nodar e Cabril”.

Pedro Bastos remeteu uma denúncia à APA, à qual pediu uma “intervenção urgente”, e também ao SEPNA – Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente da GNR, requerendo “a abertura de uma investigação técnica para identificar a origem e o tipo de poluição”. Solicitou ainda à eurodeputada Ana Miguel Pedro, do CDS, que agilize “o acompanhamento político da situação” por parte da União Europeia.

“A poluição no rio Paiva não é um fenómeno novo, mas desta vez atingiu proporções alarmantes. Se nada for feito rapidamente, se perderá a oportunidade de identificar a origem da contaminação”, realça o deputado da Assembleia Municipal de Arouca.

A Lusa pediu um esclarecimento à APA, mas ainda não obteve resposta.

Questionada a autarquia, essa informa que também reportou o caso ao SEPNA, tal como denunciara “situação similar” em agosto de 2022. Nessa altura, o serviço da GNR terá adiantado a hipótese de se tratar de “um ‘bloom’ de cianobactérias, decorrentes da diminuição do caudal do rio, fruto da ausência de precipitação e excesso de nutrientes associado a temperaturas mais altas da água, efeitos das alterações climáticas”.

Face a isso, a Câmara diz que vem encetando “há vários anos um conjunto de esforços com vista a identificar a origem de eventuais focos de poluição” – entre os quais análises periódicas à qualidade da água em articulação com um grupo de trabalho coordenado pela APA –, mas realça que ainda espera pela iniciativa que compete especificamente ao Governo.

“O Orçamento de Estado para 2023 (art. 172.º) previa um plano de proteção e despoluição do rio Paiva”, mas, segundo a autarquia, esse ainda não avançou.

No mesmo sentido, em julho de 2024, aquando da entrada em funções da ministra do Ambiente e Energia, o Município também solicitou uma reunião com a governante para “reforçar a necessidade de intervenção urgente no rio Paiva”, após o que Graça Carvalho delegou o encontro no então secretário de Estado do Ambiente, Emídio Sousa.

A reunião verificou-se, mas, mais de um ano depois, “continua por definir um plano de ações práticas para a proteção e valorização deste importante recurso da região”.

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