Vice-presidente Paulo Esteves Ferreira é o candidato do PS à Câmara de Valongo
Porto Canal/ Agências
Após 12 anos no executivo da Câmara de Valongo, o vice-presidente, Paulo Esteves Ferreira, é o candidato do PS à presidência daquela autarquia, tendo revelado disponibilidade para criar parcerias público-privadas para resolver a falta de casas no concelho.
“Não tenho orçamento municipal para prometer casas, mas existe a possibilidade de haver uma espécie de parceria público-privada, um concurso público onde a câmara cede os terrenos, isenta de taxas e licenças e, dando a capacidade máxima possível do PDM [Plano Diretor Municipal] e até, adicionalmente - porque isto também está previsto no nosso regulamento - ter mais 50% [de área de construção] desde que aprovado em Assembleia Municipal, possibilitar a construção de apartamentos T0 e T1 com rendas entre os 350 e 450 euros”, revelou o candidato.
Reclamando uma “experiência” decorrente de ter sido adjunto do presidente, vereador e depois vice-presidente naquela autarquia do distrito do Porto, Paulo Esteves Ferreira disse querer capitalizar essa “aprendizagem” para criar o “plano estratégico Valongo 2.0”, em que irá “convidar empresas ligadas ao turismo de natureza e ligadas a hotéis para trabalhar uma nova marca de turismo de natureza assente no Parque das Serras do Porto e, em particular, nas serras de Valongo”.
Licenciado em engenharia civil, Paulo Esteves Ferreira, de 53 anos, quer também instalar um “parque industrial público que ajude a complementar o orçamento municipal, que depende, essencialmente, das transferências do Estado central e está muito agarrado aos fundos comunitários”.
“Queremos poder escolher as empresas que interessem em dois grandes fatores: não pelo investimento inicial, mas pela receita que podem ter e pelo número de postos de trabalho que possam criar, estabelecendo-se em Valongo”, explicou.
Segundo o autarca, haverá condições excecionais para empresas que criem pelo menos 30 postos de trabalho, em que metade sejam jovens qualificados.
“A câmara abdicará das taxas que possa receber de licenciamento, para depois ir buscar as taxas da Derrama, que assentam sobre o lucro da empresa, porque, enquanto a taxa de licenciamento não se repete, a Derrama é todos os anos”, referiu.
Constituído arguido em fevereiro deste ano por suspeitas de corrupção no licenciamento de um restaurante da cadeia McDonald’s, em Valongo, o candidato afirmou à Lusa que, na altura, ficou “muito surpreendido e muito revoltado”, sublinhando que apenas pediu apoio para um clube do concelho e que “não ganhou nada com isso”.
Decorrente do processo instaurado pelo Ministério Público, Paulo Esteves Ferreira já pensa “em soluções para tornar esses processos mais transparentes na Câmara Municipal”.
“Estou a ponderar, para que isto seja transparente e nunca mais voltem a acontecer casos destes comigo ou com outro colega qualquer, que haja uma plataforma de apoio declarada das empresas aos clubes, em que se identifica as empresas que queiram apoiar, coloca-se todas as coletividades, seja de que natureza for, desportiva, cultural, social, para que haja este interesse por parte das empresas em ajudar as coletividades”, disse.
Concorrem à Câmara de Valongo o vice-presidente da autarquia, Paulo Ferreira (PS), o líder da concelhia do PSD/Valongo, Hélio Rebelo (PSD/CDS-PP), Vítor Parati (PAN), o deputado municipal Rui Silva (Chega), Carlos Linhares (IL), Adriano Ribeiro (CDU) e Nuno Miguel Silva (BE).
O executivo municipal é formado por seis elementos do PS e três da coligação PSD/CDS-PP.
As eleições autárquicas vão decorrer dia 12 de outubro.
