Miguel Corte-Real (CH) quer devolução do dinheiro do metrobus do Porto
Porto Canal/Agências
O candidato do Chega à Câmara do Porto, Miguel Corte-Real, quer que o dinheiro do metrobus, quase 80 milhões de euros, seja devolvido em vez de ser gasto "num sistema que não funciona e que ninguém queria".
Num comunicado enviado esta quarta-feira às redações, Miguel Corte-Real diz querer "que o Estado e os políticos e gestores que decidiram e permitiram a concretização do projeto de metrobus na Avenida da Boavista sejam responsabilizados e devolvam à cidade os 80 milhões [são exatamente 76 milhões] que foram esbanjados em obras absurdas para instalar um sistema que não funciona e que ninguém queria".
O candidato refere que tem assistido "atónito a acusações de parte a parte, entre pessoas sem vergonha, mas corresponsáveis, todas elas, por um assalto que foi cometido e desfigurou uma importante avenida da cidade", referindo-se à entrevista do presidente da Metro do Porto, Tiago Braga, à Lusa, e à reação do presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira.
Para Miguel Corte-Real, "ambos são os primeiros e os últimos responsáveis pelo que aconteceu", pois "um projetou, o outro não apenas aceitou o que ía ser feito, como incentivou e participou", relembrando a solução de inversão de marcha em frente à Casa da Música, apresentada em janeiro de 2023, consensualizada entre as partes.
O candidato do Chega ataca ainda o seu adversário do PSD/CDS-PP/IL, Pedro Duarte, que era ministro de um Governo que "aprovou as expropriações necessárias e mandou avançar a segunda fase da obra", questionando o que o então responsável pela pasta dos Assuntos Parlamentares "estava a fazer no Conselho de Ministros".
Miguel Corte-Real aponta ainda ao que diz ser uma "coligação encapotada e envergonhada" entre Pedro Duarte e Rui Moreira, referindo-se à petição lançada pelo candidato do PSD/CDS-PP/IL para mudar a segunda fase do metrobus, com a qual o atual presiente da câmara expressou concordância.
"Duarte e Moreira podem querer fazer o papel de cidadãos indignados, sem poder, sem palavra e sem influência que recorrem a petições públicas. Mas a verdade é que são dois dos responsáveis por aquilo que está a acontecer e a cidade nunca lhes irá perdoar. É uma tentativa cómica de se desresponsabilizarem e visa unicamente enganar o povo. Só que o povo do Porto não se deixa enganar", aponta.
Miguel Corte-Real considera também "normal" que o candidato o PS, Manuel Pizarro, "defenda o sistema" do metrobus, pois "foi o aparelho socialista que nomeou o presidente da Metro que projetou este disparate".
"O metrobus não serve os interesses dos portuenses, nem do património da cidade nem do bom senso. É um erro que deve ser corrigido e não posto a funcionar como quer o candidato do PS", defende Miguel Corte-Real.
Assim, refere que a sua candidatura "vai lutar para que o Porto seja ressarcido dos enormes prejuízos que, nas costas dos portuenses e contra os portuenses, foram provocados à cidade", considerando que "o Porto tem de se levantar contra o que aconteceu" no projeto do metrobus.
O metrobus vai ligar a Casa da Música à Praça do Império (em 12 minutos) e à Anémona (em 17), e os veículos do serviço serão autocarros a hidrogénio visualmente semelhantes aos do metro convencional, construídos por 29,5 milhões de euros, incluindo a infraestrutura de alimentação.
Concorrem à Câmara Municipal do Porto Manuel Pizarro (PS), Diana Ferreira (CDU – coligação PCP/PEV), Nuno Cardoso (Porto Primeiro - coligação NC/PPM), Pedro Duarte (PSD/IL/CDS-PP), Sérgio Aires (BE), o atual vice-presidente Filipe Araújo (movimento independente), António Araújo (movimento independente), Alexandre Guilherme Jorge (Volt), Hélder Sousa (Livre), Miguel Corte-Real (Chega), Frederico Duarte Carvalho (ADN) e Maria Amélia Costa (PTP).
O atual executivo é composto por uma maioria de seis eleitos do movimento de Rui Moreira e uma vereadora independente, sendo os restantes dois eleitos do PS, dois do PSD, um da CDU e um do BE.
As eleições autárquicas estão marcadas para 12 de outubro.
