Fogo em Ponte de Lima sem meios aéreos por “falta de disponibilidade”

Fogo em Ponte de Lima sem meios aéreos por “falta de disponibilidade”
Foto: Porto Canal
| Norte
Porto Canal / Agências

O comandante dos Bombeiros Voluntários de Ponte de Lima afirmou que o combate às chamas, na tarde desta terça-feira, não está a contar com meios aéreos “por falta de disponibilidade” o que está a dificultar as operações nas quatro frentes ativas.

“Infelizmente não há disponibilidade de meios aéreos para aqui”, disse Carlos Lima, acrescentando que essa informação lhe foi transmitida pela proteção civil.

Durante a manhã o combate contou com o apoio de dois meios aéreos. '

Consultada pela Lusa às 15h20, no sítio na Internet da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) não constava o incêndio em Ponte de Lima.

Segundo o comandante responsável pelo teatro de operações, com o apoio de meios aéreos o “combate seria muito mais fácil, seguro e os bombeiros não estavam expostos a tantos perigos”, afirmou.

Carlos Lima adiantou que as quatro frentes ativas atingem as freguesias Rebordões (Santa Maria), onde o fogo deflagrou na segunda-feira às 22h47, Correlhã, Facha e, Seara.

O comandante adiantou que um bombeiro “sentiu-se mal e foi encaminhado ao hospital de Santa Luzia, em Viana do Castelo, estando em casa a descansar”.

Às 16h25, afirmou, “não havia habitações ameaçadas porque os meios terrestres estão a conseguir evitar que as chamas as atinjam”.

À mesma hora estavam mobilizados 181 operacionais, apoiados por 52 viaturas.

Carlos Lima adiantou estar previsto “um reforço de meios terrestres de Ribatejo, mas que só chegará ao teatro de operações só lá mais para a noite”.

“Os homens estão cansados. Andamos no combate há vários dias. Começou em Ponte da Barca. Mesmo assim estou com esperança, se mantivermos o dispositivo, apesar de termos muitas horas de trabalho pela frente, conter o incêndio no perímetro que já está atingido”, explicou.

Na manhã desta terça-feira, o presidente da Câmara de Ponte de Lima afirmou anunciou terem sido retiradas crianças da creche e idosos do lar da Facha por precaução.

Vasco Ferraz (CDS—PP) adiantou que durante a noite de segunda-feira, “por precaução, foram retirados os habitantes do lugar de São João do Monte, na freguesia da Correlhã, e do lugar da Porta, na Facha, que foram acolhidos nas casas de familiares”.

“A população está habituada porque são dois lugares que não têm alternativa de fuga. Só têm uma via de acesso”, disse.

Já na manhã desta terça-feira, esclareceu, “as crianças da creche da Facha foram deslocalizadas para o centro escolar da Facha para não estarem perto do fumo e os idosos do Lar da Facha foram mantidos em casa, sendo-lhes garantido apoio domiciliário".

Segundo Vasco Ferraz, o fogo “evoluiu muito rapidamente”.

“O incêndio começou às 22h47 de segunda-feira. Às 01h00 já tinha uma dimensão brutal. Durante a noite os bombeiros tinham o incêndio controlado e hoje, entre as 06h00 as 07h00, levantou-se vento e voltou-se a descontrolar e era nessa altura que deviam ter vindo os meios aéreos. Liguei ao secretário de Estado da Proteção Civil que disponibilizou dois meios aéreos, mas às 11h00 ainda não estavam a combater o incêndio”, frisou.

O autarca adiantou que “a falta de operacionais disponíveis, empenhados noutros incêndios como em Ponte da Barca e Arouca”, também não facilitou o combate às chamas” que lavram numa “zona complicada de mato e floresta, com uma orografia difícil”.

“Nesta altura, o país não tem capacidade para ter três ou quatro grandes incêndios ao mesmo tempo. Isso faz com que os pequenos incêndios escalem e se tornem em grandes incêndios. Os nossos bombeiros que estavam a combater o fogo em Ponte da Barca e vieram para Ponte de Lima estavam cansados por estarem em trabalhos há dois dias”, apontou.

Vasco Ferraz disse que pelas 11h00 a situação estava “mais ou menos estabilizada.

“Não estamos seguros de haver a probabilidade de termos uma alteração dos ventos e voltar a descontrolar-se. Tendo visibilidade para atacar o incêndio com meios aéreos - e se conseguíssemos controlar antes de o vento levantar, outra vez -, muito possivelmente resolveríamos o incêndio rapidamente”, disse.

Além do prejuízo florestal, não há registo de feridos entre população e operacionais que combatem as chamas.

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