Iniciativa Liberal vai aprovar moção de confiança e diz ser indesculpável ida a votos

Iniciativa Liberal vai aprovar moção de confiança e diz ser indesculpável ida a votos
Lusa
| Política
Porto Canal/ Agências

A Iniciativa Liberal (IL) indicou esta quinta-feira que vai votar a favor da moção de confiança apresentada pelo Governo, considerando uma "indesculpável irresponsabilidade" ir a votos "neste contexto histórico nacional e internacional".

"É uma indesculpável irresponsabilidade que neste contexto histórico nacional e internacional, com alterações desafiantes para Portugal e para a Europa, o país vá novamente para eleições, distraindo-se de forma grave dos problemas prementes que é preciso resolver", pode ler-se, num comunicado enviado à agência Lusa.

O partido liberal acusou partidos e vários atores políticos de estarem "a fazer baixa política, colocando interesses partidários e pessoais à frente dos interesses do país, não estando à altura do momento histórico".

"Esta era a altura de dizer 'que se lixem as eleições' e governar", apontou.

O partido liderado por Rui Rocha destacou que "avisou várias vezes o primeiro-ministro do que devia fazer para sanar a crise política", frisando que "era sua responsabilidade ter prestado os esclarecimentos necessários e focar-se na governação".

A IL vincou também que os partidos que votem para fazer cair o Governo serão irresponsáveis.

Mas garantiu ainda que "se forem convocadas eleições antecipadas a Iniciativa Liberal está pronta para as enfrentar, na certeza de que um voto na Iniciativa Liberal constituiu um voto na estabilidade, responsabilidade e maturidade das instituições e da política em Portugal".

"Este voto na moção de confiança é um voto na defesa dos superiores interesses dos portugueses, que querem e merecem avançar com a sua vida, face à desresponsabilização dos vários partidos e seus líderes", concluiu, na mesma nota.

A moção de confiança que o Governo entregou ao parlamento vai ser discutida e votada na terça-feira à tarde, confirmou à Lusa fonte do gabinete do presidente da Assembleia da República.

A moção de confiança, intitulada "Estabilidade efetiva, com sentido de responsabilidade", defende que "o país precisa de clarificação política" perante dúvidas levantadas quanto à vida patrimonial e profissional do primeiro-ministro, sendo "hora de cada um assumir as suas responsabilidades".

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou na quarta-feira, na abertura da moção de censura apresentada pelo PCP, que o Governo avançará com a proposta de uma moção de confiança ao executivo pelo parlamento, "não tendo ficado claro" que os partidos dão ao executivo condições para continuar.

Montenegro admitiu que "a antecipação de eleições não é desejável", mas será "um mal necessário para evitar a degradação das instituições e a perda da estabilidade política".

No debate, o líder socialista, Pedro Nuno Santos, confirmou que o PS votará contra a moção de confiança que o primeiro-ministro anunciou e acusou Luís Montenegro de preferir eleições a enfrentar uma comissão de inquérito.

Também André Ventura, líder do Chega, acusou o primeiro-ministro de ter anunciado uma moção de confiança ao Governo por "medo do escrutínio" e disse que o partido jamais lhe "dará qualquer voto de confiança".

Esta quinta-feira, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou fundamental que a incerteza política seja "reduzida ao mínimo" e que as eleições autárquicas e presidenciais decorram "em normalidade".

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