Gaia inaugura percursos mecanizados que ligam marginal ao castelo
Porto Canal/ Agências
Os acessos desde a marginal de Vila Nova de Gaia ao largo do Castelo incluem agora uma escada rolante e três elevadores, entre outras “melhorias que visam o reforço da mobilidade” disse esta quarta-feira o presidente da Câmara.
Na inauguração formal de uma obra que custou 3,5 milhões de euros e demorou mais de quatro anos a ficar concluída, Eduardo Vítor Rodrigues referiu que “o objetivo foi manter o que era possível manter de especificidade local e facilitar as ligações das diferentes cotas da cidade”, isto porque, na prática, a empreitada conhecida como “Intervenção Integrada do Castelo de Gaia” introduz percursos mecanizados desde a marginal de rio até ao largo do Castelo.
“Isto não é uma obra para turista. É uma obra que também servirá os turistas, mas que foi feita para todos”, disse o autarca numa intervenção curta entre duas das várias plataformas e pouco antes de se ter cruzado com moradores que reivindicaram a recolocação das casas de banho que serviam a capela milenária da Boa Esperança, entre outras intervenções.
“E vamos fazer isso. Não se pode fazer tudo de uma vez. Mas nunca foi intenção não fazer isso”, prometeu.
Já em declarações aos jornalistas, Eduardo Vítor Rodrigues disse que “esta é uma zona histórica que sofreu o abandono dos próprios residentes por falta de condições”, apontando para muitas casas privadas por reabilitar, mas lembrou que “é também uma zona onde é visível o arranque de investimentos importantes como os novos hotéis e restaurantes que têm surgido”.
“E não escondo que estamos já a olhar para o futuro, para a [futura] linha [de metro] Rubi [que ligará a Casa da Música, no Porto, a Santo Ovídio, em Gaia]. Em cinco minutos passa a ser possível passar da cota baixa para a cota alta e aceder às estações da Arrábida e a da VL8 com facilidade”, referiu o presidente da câmara.
Descrevendo as “escadas rolantes e os elevadores, que até são panorâmicos”, como “instrumentos de reforço da mobilidade”, apontou que, “para jovens ou menos jovens, descer ou subir este território era até aqui muito difícil”, dando como exemplo nem tanto quem carrega às vezes tripés e máquinas fotográficas, mas quem sobe e desce todos os dias com sacos de compras.
“Muitas reabilitações têm a ver com lavar a cara para estrangeiro ver. Aqui não é esse o objetivo. O objetivo é trazer mobilidade para as pessoas. Não estamos a falar de meros passeios, estamos a falar da diferença entre subir e descer 200 degraus ou recorrer a um elevador”, reforçou.
Quanto aos atrasos de “uma obra de filigrana com múltiplas fases”, estes deveram-se, justificou o autarca, à pandemia e a adaptações no terreno.
Além das estruturas mecânicas, esta reabilitação incluiu a reabilitação e transformação de um edifício de habitação unifamiliar em duas frações habitacionais para colocar no programa de arrendamento acessível, bem como a reabilitação do edifício do lavadouro e balneários comunitários.
Os vários projetos foram objeto de candidatura, no âmbito do Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano (PEDU), ao programa de financiamento Norte 2020, fundo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), e beneficiaram de uma taxa de comparticipação de 85%.
A zona do Castelo é uma zona classificada como imóvel de interesse público e encontra-se dentro dos limites da área Centro Histórico e está também dentro dos limites da Zona Especial de Proteção (ZEP) do Centro Histórico do Porto, Ponte Luiz I e Mosteiro da Serra do Pilar – classificado como Património Mundial da UNESCO.
