Pedro Nuno anuncia comissão de inquérito ao caso da empresa de Montenegro
Porto Canal/ Agências
O líder socialista anunciou esta segunda-feira que o PS vai pedir a constituição de uma comissão parlamentar de inquérito potestativa na sequência do caso da empresa familiar do primeiro-ministro, Luís Montenegro.
Pedro Nuno Santos falava aos jornalistas no final de uma reunião do Secretariado Nacional do PS, que foi convocada hoje para discutir a situação política nacional depois da comunicação ao país do primeiro-ministro.
O secretário-geral do PS considerou que permanecem muitas dúvidas e que “o primeiro-ministro está a contribuir de forma ativa para a degradação das instituições do regime democrático”.
“O nosso dever é fazer tudo que está ao nosso alcance para proteger o regime e isso implica nós fazermos tudo o que está ao nosso alcance para apurarmos a verdade. O PS apresentará na Assembleia da República um requerimento potestativo para a constituição de uma comissão parlamentar de inquérito”, anunciou.
O líder do PS disse que não faz este pedido “com gosto” e que sabe “quão duro é uma comissão parlamentar de inquérito”.
“Infelizmente o senhor primeiro-ministro não nos dá alternativa”, defendeu, considerando que a comissão de inquérito é “a última figura regimental” que o PS tem ao dispor para “assegurar o direito a saber a verdade”.
Pedro Nuno Santos remeteu o objeto da comissão de inquérito para o requerimento que dará entrada no parlamento “nos próximos dias”, uma comissão que “será potestativa, sem votação, e presidida pelo PS”.
“O senhor primeiro-ministro faz uma declaração ao país não se disponibiliza para responder a questões, mas depois envia cinco ministros para cinco estações de televisão. O senhor primeiro-ministro encerrou qualquer hipótese para de dar mais esclarecimentos e neste momento não há mais nenhum mecanismo político ao nosso alcance para apurar a verdade”, justificou.
O líder socialista apontou que a uma comissão parlamentar de inquérito Luís Montenegro “não pode omitir nem faltar à verdade”.
“O pior que pode acontecer à nossa democracia é nós passarmos por este processo sem apurarmos tudo o que aconteceu”, defendeu, questionando “como é que foi possível um primeiro-ministro não ter estado em exclusividade e ter continuado a receber avenças de empresas”.
Pedro Nuno Santos foi ainda questionado sobre a posição do eurodeputado do PS Francisco Assis, que desafiou o partido a avançar com uma moção de censura caso o Governo não apresente uma moção de confiança.
“Não temos essa mesma interpretação de que há alguma divergência. Tenho conversado com Francisco Assis, antes e depois, e há uma sintonia que não corresponde à leitura que alguns fizeram das suas declarações”, contrapôs.
Se alguma coisa “tem ficado claro nos últimos dias”, segundo o líder socialista, é que “o PS deste ponto de vista está unido”.
“É um partido com sentido de estado, com responsabilidade, que tem contribuído para a estabilidade política. Esta crise política não foi criada por nós. Não somos fator de instabilidade”, defendeu, insistindo na necessidade de “proteger o regime, as instituições”, o que só acontece caso se consiga “saber a verdade”.
