Projeto de expropriações do alargamento Contumil-Ermesinde em desenvolvimento. Moradores ainda não foram informados
Porto Canal/Agências
A Infraestruturas de Portugal (IP) adiantou à Lusa que o projeto de expropriações relativas ao alargamento entre Contumil (Porto) e Ermesinde (Valongo), que envolverá demolições de habitações, está "em desenvolvimento".
"O projeto de expropriações está em desenvolvimento e só após a sua conclusão é que serão conhecidas as parcelas a expropriar. Posteriormente a IP promoverá as necessárias notificações aos proprietários dentro dos prazos decorrentes do Código das Expropriações", pode ler-se numa resposta da IP a questões da Lusa.
Esta quinta-feira, a Lusa noticiou que moradores de Rio Tinto, Ermesinde e Contumil cujas casas estão previstas ser demolidas para o alargamento da linha de comboio revelaram que ainda não receberam qualquer comunicação formal acerca do projeto, manifestando incerteza quanto ao seu futuro.
"Ninguém [disse nada]. A gente anda aqui ao sabor das ondas. Eu leio no jornal, ainda li foi anteontem [terça-feira], se não estou em erro, mas ninguém sabe de nada", disse à Lusa Horácio Silva, de 70 anos, morador numa rua junto à estação de Rio Tinto, onde estão previstas serem demolidas casas no âmbito do alargamento da Linha do Minho entre Contumil e Ermesinde (Valongo), no distrito do Porto.
Estão previstas demolições de 87 edifícios, dos quais cerca de 15 habitações, incluindo a de Horácio Silva.
"Estou à espera que venha alguém aqui que me diga alguma coisa. Depois eu quero saber o que vai acontecer", partilhou, exigindo uma casa igual à onde vive há 56 anos, e não uma compensação financeira.
Já o seu vizinho António Machado, de 75 anos, que vive na sua casa há 47 anos, "gostaria de ter, dentro das possibilidades, uma casa”, que até pode ser "pequenina, com três divisões chega", pois vive apenas com a sua mulher.
O residente de Rio Tinto reconheceu que a situação "causa sempre" ansiedade, tanto em si como na sua mulher, que não são proprietários do imóvel onde habitam.
Já em Ermesinde (Valongo), a chegar à estação, três famílias vivem numa habitação mesmo colada à linha, que também está prevista ser demolida.
"Aqui vive uma pessoa de 93 anos, um deficiente de 50 e com trissomia 21 profunda, vivem mais os meus pais e vivo eu aqui em casa. Em casas separadas, mas neste lado aqui são os meus pais, a minha avó e o meu tio, que é deficiente", conta à Lusa Hélder Moreira, de 35 anos.
Tal como os residentes de Rio Tinto, também a família não recebeu "nenhuma notificação".
"A casa é centenária, ainda não recebemos nada, não vimos nenhum projeto, não sabemos de nada. Sabemos que vai haver o alargamento da via, sabemos que vai haver estas obras entre Contumil e Ermesinde, sabemos disso tudo, mas até agora nada", descreveu.
A família não pode é "ir viver para andares" por causa da mãe e do irmão de Arminda Rocha, de 60 anos, que lamenta a "muita" intranquilidade que sentem atualmente, pedindo um cuidado especial à IP na avaliação da sua situação.
Mais sorte poderá ter Joaquina Pereira, de 77 anos, que reside na Rua da Ranha, em Contumil (Porto), e cuja casa poderá ser poupada (ao contrário de outras na rua), apesar de a linha de comboio lhe poder levar parte do quintal.
"Estou com muito medo porque eu e a minha filha somos duas pessoas muito doentes, precisamos de descansar de noite", refere, lembrando que há vários anos se fala no alargamento da linha, e em tempos até foram “marcar mais ou menos até para lá do meio do quintal" da casa onde reside.
Porém, também não tem informações oficiais atualizadas.
O concurso público para executar a empreitada foi lançado em 19 de fevereiro e tem o valor de 150 milhões de euros.
A duplicação de duas para quatro vias da Linha do Minho entre Contumil e Ermesinde vai permitir separar o tráfego das linhas do Douro e Minho a sul de Ermesinde, aumentando a capacidade ferroviária a norte do rio Douro e a fiabilidade dos serviços.
