Bloco de Esquerda defende que mobilização da população em Boticas ainda pode travar mina

Bloco de Esquerda defende que mobilização da população em Boticas ainda pode travar mina
| Norte
Porto Canal/ Agências

A coordenadora do Bloco de Esquerda defendeu este sábado, em Covas do Barroso, Boticas, que a mobilização da população e autarcas ainda pode travar a exploração mineira e que este processo merece ser investigado.

“Esta mobilização este sábado mostra que ainda é possível travar e que ainda é possível resistir. A resistência da população tem permitido atrasar estes projetos e o país deve agradecer”, afirmou Mariana Mortágua.

A coordenadora do BE juntou-se a uma manifestação em Covas do Barroso, concelho de Boticas, contra a exploração de lítio e a servidão administrativa emitida pelo Governo, que permite que a Savannah aceda a terrenos privados e baldios para a prospeção de lítio.

“Quando uma exploração económica que depende da extração de recursos naturais é feita com oposição da população durante tanto é porque não pode ser feita. Só isso é um sinal que ela não pode ser feita, porque se ela fosse boa para a região as pessoas que aqui estão seriam as primeiras interessadas”, salientou Mariana Mortágua.

E, defendeu, “neste momento a solução para travar estes projetos é a mobilização das populações e dos autarcas que se juntam às populações curiosamente para defender o território”.

“Querem fazer minas a céu aberto e construir barragens para os detritos destas minas com riscos para a população e para o ambiente e zona agrícola protegida mundialmente, é um disparate, é uma irresponsabilidade e nós confiamos nesta população para travar este processo e estamos cá com eles e faremos tudo o que for possível para travar este processo”.

A coordenadora do Bloco recordou que luta do povo do Barroso dura há anos e considerou que este é um processo que tem que ser investigado.

“A forma como a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) foi dando pareceres favoráveis, mas condicionados sem olhar a características técnicas do projeto que podem por em causa sustentabilidade da zona, a forma como as autorizações foram dadas pelo Governo, inclusive, para haver uma expropriação dos solos de quem aqui vive e solos que são comunitários que são partilhados entre estas pessoas. Há uma série de passos deste processo que são muito questionáveis e que merecem ser investigados e questionados”, frisou.

Mariana Mortágua salientou ainda que “Portugal não é o quintal das grandes empresas” que poderão vir “retirar todo o valor que interessar por cima das populações para depois esses minérios serem refinados na Alemanha ou em qualquer outro sítio do mundo”.

“Esta população tem toda a razão do lado dela e é por isso que aqui estamos”, sublinhou.

A manifestação deste sábado foi marcada pela associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB) depois da secretária de Estado da Energia, Maria João Pereira, ter emitido um despacho, publicado a 06 de dezembro em Diário da República, que autoriza a constituição de servidão administrativa, pelo prazo de um ano, o que permite à empresa Savannah aceder a terrenos privados para a prospeção de lítio.

Logo a seguir a UDCB disse não reconhecer legitimidade à decisão do Governo e a Savannah Resources anunciou poder “retomar o trabalho de campo e as perfurações necessárias” para o estudo definitivo (DFS) e o processo de conformidade ambiental do projeto lítio do Barroso, prevendo concluir estas etapas em 2025.

A APA viabilizou ambientalmente a exploração de lítio na mina do Barroso emitindo uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável em maio de 2023, integrando um conjunto alargado de condicionantes.

A empresa já disse que prevê iniciar a produção em 2027.

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