“A farinha faz parte da minha vida desde criança”. Padeira de Bragança levou o pão da terra além-fronteiras
Porto Canal
Elisabete Ferreira, de 46 anos, diretora executiva do Pão de Gimonde, uma padaria situada no coração de Bragança foi eleita, no passado mês de outubro, a ‘Melhor Padeira do Mundo’. Um reconhecimento atribuído pela União Internacional de Panificação e Pastelaria (UIBC). Conheça o rosto de quem amassa o pão desde tenra idade.
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“A farinha faz parte da minha vida desde criança. Comecei a pôr as mãos na massa muito pequena, aos 8-9 anos”. A frase que vem com um sorriso no olhar é de quem já trata por “tu” a arte de confecionar pão. A paixão de Elisabete Ferreira adveio dos seus pais que ainda hoje trabalham na Padaria de Gimonde e de quem herdou a determinação.
“Os dias de festa eram de trabalho árduo. Aí percebi que o meu desafio era valorizar a padaria, pô-la no mapa, e mostrar o que está por detrás”, comenta a padeira que aos 14 anos começou a ajudar o seu pai na distribuição do bem-essencial pela região transmontana.
O cheiro da cozedura do pão sente-se em cada canto daquele estabelecimento comercial. Por lá, faz-se “o pão de centeio, sarraceno, multi-cereais” e o típico transmontano. Sem revelar o segredo da sua massa, Elisabete destaca que o “conhecimento técnico” é um chavão para confeccionar um pão “com qualidade e essência”, algo que sempre procurou trazer para o setor.
“Nos anos 2000, o conhecimento [na área] em Bragança era muito limitado. [Hoje] em Portugal, já há mais interesse pela formação, mas esse tem que partir das escolas. Os próprios formadores têm que mostrar aos alunos o que se pode fazer e transmitir paixão”, salienta, enquanto espera por uma fornalha de pão.
O negócio da padaria de Gimonde cresceu de forma gradual, mas “o caminho para tirar o pão da paróquia foi de quase 20 anos”. Atualmente, o modelo de vendas é dedicado à proximidade entre o vendedor e o consumidor.
Elisabete Ferreira garante que o título de ‘Melhor Padeira do Mundo’ valoriza o trabalho diário, embora realce que “o que queremos é que se fale da padaria e do pão”, conclui.
