FC Porto (Hóquei em Patins): Na Argentina pelo Ouro

FC Porto (Hóquei em Patins): Na Argentina pelo Ouro
| Desporto
Sérgio Velhote

A equipa de hóquei em patins encontra-se em San Juan para lutar pela Taça Intercontinental.

Na “final four”, que conta ainda com duas formações argentinas e o Barcelona, os Dragões querem voltar a ser campeões do mundo e juntar um novo título ao de campeão da Europa conquistado na última época. O objetivo é simples: ter o mesmo desfecho de 2021 e reescrever a história no Aldo Cantoni

A Taça Intercontinental volta a estar ao alcance do FC Porto, que está na Argentina à procura de conquistar a prova pela segunda vez. O título de campeão do mundo está em jogo para os campeões europeus até domingo, numa “final four” imprevisível e que terá o incomparável Pavilhão Aldo Cantoni como palco.

Antes de iniciar a viagem, Ricardo Ares, treinador que já venceu seis troféus, entre os quais uma Taça Intercontinental, em pouco mais de duas temporadas e meia no comando dos azuis e brancos, deixou claro que a ambição é erguer o sétimo. “É uma taça importantíssima que nos permitiria ser, neste ciclo, campeões do mundo pela segunda vez. Temos total ambição e confiança nas nossas capacidades, mesmo jogando longe da nossa casa”, começou por dizer o técnico, que espera umas meias-finais “difíceis”, nas quais o adversário terá “total apoio dos adeptos”.

Para analisar o Lomas de Rivadavia, oponente na semifinal, passamos a bola a Ezequiel Mena, que vai jogar em casa e bem perto da família. “É uma formação muito forte, com jogadores jovens que têm a motivação de nos fazerem frente, não só pelos objetivos coletivos, mas também para se mostrarem aos clubes europeus. Além disso, haverá outra condicionante. A época na Argentina está apenas a começar, o que traz pontos positivos e negativos. Enquanto que a condição física deles poderá não ser a melhor, uma vez que estão na pré-temporada, é possível que apresentem alguns reforços que nos são desconhecidos”.

A “final four” será jogada em San Juan, numa das mecas do hóquei em patins que Mena conhece muito bem. Foi nas ruas dessa cidade, que se situa a mais de 10 mil quilómetros do Dragão Arena, que o argentino aprendeu a patinar e lá se sagrou campeão do mundo pela seleção azul-celeste em 2022, diante de Portugal. “O facto de jogarmos lá é fantástico. É uma emoção voltar ao pavilhão e ter a minha família e os meus amigos na bancada. Vai ser certamente especial”, observou Ezequiel Mena.

Apesar de as memórias não serem tão boas para Gonçalo Alves, que saiu derrotado em duas finais nesse mesmo palco, não há um pavilhão igual ao Aldo Cantoni para o capitão portista. “É uma cidade que vive e respira hóquei em patins e o ambiente no pavilhão é inexplicável. Em San Juan todos nos reconhecem e poder partilhar as nossas vivências com eles é uma experiência única”, explicou o camisola 77, que mostra total confiança de que a equipa vai regressar à cidade do Porto com mais um troféu. “Perdi lá uma Taça Intercontinental e um Campeonato do Mundo. Há terceira terá que ser de vez”.

FAZER O QUE JÁ FOI FEITO
Os moldes foram diferentes, mas o mês de dezembro de 2021 ficará na história do hóquei em patins do FC Porto. A Taça Intercontinental foi conquistada no Pavilhão João Rocha, numa final jogada a duas mãos frente ao Sporting. “Escrevemos uma página bonita para o clube e foi o culminar de dois jogos muito disputados. Apesar da derrota por um golo em casa deles, a margem que tínhamos conquistado no Dragão Arena foi suficiente para conquistarmos um título único no nosso palmarés”, analisou Gonçalo Alves, que marcou nas duas partidas.

Já Ezequiel Mena, que apontou um golo no primeiro encontro, viveu esta vitória de uma forma diferente. “Foi o meu primeiro título de azul e branco e foi verdadeiramente especial”. A taça, que se encontra no Museu FC Porto, chegou partida… “Se é para ganhar, que volte partida outra vez, não há problema”, afirmou, entre gargalhadas, o internacional argentino.

Contudo, Ricardo Ares reforça que “o passado não serve para nada”. “Estamos apenas focados no presente e em manter os índices máximos de motivação, independentemente do estatuto com que entramos para esta prova. Só isso nos permitiu conquistar títulos e sermos continuamente competitivos. É dessa forma que devemos sempre pensar e estar em alerta constante, para nunca estarmos confortáveis. Esta equipa quer sempre mais”.

Um pensamento partilhado pelo capitão. “O facto de estarmos múltiplos anos juntos, com inúmeros treinos e jogos pelo meio, permite-nos ser cada vez mais coesos. A parte fundamental desta equipa é que cada um de nós, desde os que estão nesta caminhada a partir do início aos que nos reforçaram este ano, quer vencer tanto ou mais do que o companheiro do lado”, reforçou Gonçalo Alves.

“É PARA TRAZER O CANECO”
O calor dos adeptos estará sempre presente, apesar da distância, porque os Dragões querem dar mais um título a todos os portistas. Nada será fácil, mas para esta equipa tudo é possível. “Só podemos pensar numa final depois de ganharmos a primeira partida e vamos à procura de resolver o jogo o mais rapidamente possível”, analisou Gonçalo Alves, antes de Ricardo Ares sublinhar que “não há favoritos”, apesar do FC Porto e do Barcelona terem “maior potencial”. “O favoritismo conquista-se pela vontade demonstrada dentro do rinque. Depois cada jogo terá a sua história”.

Para chegar a San Juan, os azuis e brancos enfrentaram mais de 30 horas de viagem. Para combater o possível cansaço, só há um remédio. “Se ganharmos a Taça Intercontinental todo esse desgaste vai passar para segundo plano. Só pensamos nos 100 minutos de hóquei em patins que teremos pela frente, salvo prolongamentos, e queremos vencer”, disse o capitão.
Já o argentino Ezequiel Mena aponta para um novo capítulo histórico por parte desta equipa. “Representamos o FC Porto e sabemos a importância do nosso emblema. Vamos com toda a ambição e responsabilidade para trazer o caneco”. Que assim seja.

A OUTRA MEIA-FINAL
Além de FC Porto e Lomas Rivadavia, também UVT e Barcelona medem forças nesta Taça Intercontinental com o objetivo de alcançar a final. Ezequiel Mena foi formado na equipa argentina que defronta os catalães e apresenta-a como uma formação com “um misto de jogadores jovens e experientes capazes de criar problemas”. Já os blaugrana, que assumiram o lugar deixado em aberto pelo Valongo, que os azuis e brancos bateram na final da Champions, não precisam de apresentações. O crónico campeão espanhol foi a “besta negra” dos portistas durante vários anos, mas os Dragões já quebraram essa tendência ao eliminarem o Barcelona nos dois últimos confrontos: na meia-final da Liga dos Campeões em 2019 e em 2023.

TRÊS DOS QUATRO JÁ VENCERAM
Esta final four da Taça Intercontinental conta com três formações que já ergueram o troféu. A primeira edição teve como vencedor o Barcelona, que já conquistou o troféu por oito vezes, um máximo na prova. O UVT, curiosamente, foi a equipa que sucedeu os blaugrana, erguendo a taça de forma consecutiva em 1985 e em duas ocasiões distintas no ano de 1986. A equipa que formou Ezequiel Mena tem a particularidade de ser a única formação sul-americana a conquistar o troféu. A lista completa-se com o FC Porto, que saiu vitorioso do pavilhão João Rocha em 2021. Já o Lomas de Rivadavia, formado em 2007, procura a primeira conquista.

SETE EM 11 NO PLANTEL PORTISTA
Ricardo Ares conta com um plantel experientíssimo a conquistar títulos e os últimos dois anos e meio são prova disso mesmo. Para reforçar ainda mais este facto, nada melhor do que olhar para o palmarés de cada Dragão no plantel e constatar que sete dos 11 jogadores que o compõem já ergueram a Taça Intercontinental: Xavi Malián, Telmo Pinto, Ezequiel Mena, Rafa, Carlo Di Benedetto e Gonçalo Alves venceram de azul e branco em 2021, enquanto Edu Lamas, em 2012, ergueu o troféu ao serviço do Liceo da Corunha, num ano em que partilhava o balneário com o atual guardião espanhol do FC Porto.

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