Raquel trabalhava numa creche, mas nem isso lhe valeu. Falta de vagas obrigou-a a despedir-se para ficar com bebé em casa

Ana Francisca Gomes | Porto Canal
| País
Henrique Ferreira

A procura começou quando ainda estava grávida. Aos seis meses de gestação, e já a antecipar os problemas que viria a ter, Raquel inscreveu o futuro filho numa creche perto de casa. Nessa altura, foi lhe dito que seria difícil conseguir um lugar, mas a jovem mãe nunca achou que fosse impossível. Agora, quase um ano depois, viu a vaga negada e teve de se despedir para ficar com o bebé em casa.

“Eu inscrevi-o numa creche aqui pertinho de casa, uma vez que ele teria direito à ‘Creche Feliz’, e foi me dito logo que seria difícil. Em maio deste ano foi-nos dito que não tinha mesmo vaga”, conta Raquel ao Porto Canal.

A solução foi deixar o emprego. Mas é aqui que esta história se torna ainda mais curiosa. Raquel é auxiliar de infância e trabalhava numa creche privada. Para colocar o filho no local onde exercia a profissão iria ter que lá deixar praticamente todo o ordenado.

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Pedro é o segundo filho de Raquel e do marido, que vivem em Leça da Palmeira, no concelho de Matosinhos

“Eu onde trabalhava tinha vaga para o bebé, mas iria ainda ter que pagar para trabalhar”, explica Raquel Silva. A jovem tem outra criança com apenas três anos nessa escola e o pagamento das duas mensalidades iria obrigar a que todo o seu ordenado ficasse dentro da instituição.

Há três anos, quando a filha mais velha de Raquel nasceu, a creche onde trabalhava oferecia metade da mensalidade aos bebés dos funcionários. Agora esse apoio já não está em vigor e o pagamento teria que ser feito na totalidade.

“Se houvesse vagas seria uma grande ajuda”

O Governo diz que espera ter creche gratuita para 85 mil crianças este ano, mas o número não é suficiente para garantir a universalidade da medida.

“Se houvesse vagas seria uma grande ajuda porque acho que cada vez mais as pessoas vão adiando o sonho de ser pais porque não há oferta”, afirma Raquel Silva.

Para a jovem residente em Leça da Palmeira, no concelho de Matosinhos, “os critérios de admissão deviam ser melhor avaliados”.

Avós não conseguem ajudar a tomar conta dos netos

Segundo os especialistas, o aumento da procura por creches pode estar relacionado com mudanças geracionais. Ao contrário de que acontecia no passado, os avós dos bebés são agora mais novos e ainda trabalham pelo que não podem ajudar a tomar conta dos netos.

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Falta de creches está a obrigar os pais a ficarem com os filhos em casa

“Pais, tios e afins ainda trabalham. São pessoas muito jovens e infelizmente não podemos contar com eles para isso”, afirma Raquel em entrevista ao Porto Canal.

A solução, no caso de Raquel e do marido, será esperar até setembro de 2024. Nessa altura, a creche onde tentaram inscrever Pedro deverá conseguir assegurar uma vaga para a criança.

Governo quer acomodar mais bebés por sala

O Governo anunciou em julho um conjunto de “mecanismos especiais” com visto a um “aumento de capacidade rápido”, que preveem, por exemplo, o aumento do número de lugares em casa sala, permitindo um reforço entre cinco mil a seis mil vagas.

Além disso, as creches vão poder reconverter espaços desocupados em novas salas, através das quais poderão ser disponibilizados cerca de 1500 lugares, segundo as estimativas da tutela.

Fora do setor social, foi antecipada a ativação da oferta suplementar da rede lucrativa das creches, com quem o Governo tem protocoladas cerca de sete mil vagas.

 
 
 
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