Adesão do Livre aos Verdes Europeus vai a votos este sábado

Adesão do Livre aos Verdes Europeus vai a votos este sábado
| Política
Porto Canal / Agências

A adesão do Livre como membro de pleno direito aos Verdes Europeus será votada no sábado, na Áustria, no 37.º Congresso extraordinário deste grupo partidário europeu, cujo comité já emitiu uma recomendação aos delegados nesse sentido.

Desde a sua fundação, em 2014, que o Livre tem como objetivo ser membro do Partido Verde Europeu, que atualmente só conta com uma força política portuguesa: o Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV), que perdeu a representação na Assembleia da República em 2022.

No congresso que se vai realizar esta sexta-feira e sábado em Viena, capital da Áustria, os delegados vão deliberar sobre um relatório elaborado pelo comité do Partido Verde Europeu que recomenda a adesão do Livre como membro de pleno direito desta força política europeia.

“Não havia em Portugal um partido verde europeu que tivesse, digamos, uma estratégia autónoma, que concorresse a eleições sozinho e que estivesse também bastante sintonizado com o Partido Verde Europeu no que diz respeito a todas as questões que são de integração europeia, de democratização do projeto europeu”, salientou à Lusa o porta-voz do Livre e deputado único na Assembleia da República, Rui Tavares, destacando que o relatório do comité dos Verdes Europeus é “francamente elogioso da trajetória que o Livre tem seguido”.

No documento, o comité dos Verdes Europeus faz um enquadramento da situação política atual, salientando que o Governo socialista tem atravessado vários “escândalos políticos” e resume o percurso do Livre, incluindo a polémica com a ex-deputada Joacine Katar Moreira, que surgiu devido a “uma falta de comunicação entre o partido e a deputada, que escalou para uma troca pública de acusações de ambos os lados”.

Apesar deste episódio, que levou o Livre a perder na altura a sua representação parlamentar, recuperada em 2022, o comité - que falou com várias entidades em Portugal no início de março no âmbito dos processos de adesão do Livre e do PAN - considera que o partido representado pelo historiador no parlamento tem tido “um padrão de crescimento estável desde a sua fundação” e tem como desafio nos próximos meses e anos trazer novas figuras para o espaço mediático, além de Rui Tavares.

Na opinião do deputado único, a principal vantagem desta adesão do Livre “é poder levar as ideias que são do sul da Europa, que são de uma esquerda verde que é feita a partir do sul, e que podem influenciar mais facilmente partidos, alguns dos quais estão no Governo, como o partido verde alemão, o austríaco, e outros”.

De acordo com o relatório desta estrutura dos Verdes Europeus, a perceção geral é a de que o Livre tem boas perspetivas para as próximas eleições europeias de 2024, “especialmente porque há muitos eleitores chateados com o Governo socialista”.

Questionado sobre objetivos eleitorais para 2024, Rui Tavares respondeu apenas que “o Livre tem de ter uma candidatura forte e tem de procurar eleger” .

“É nas europeias que os nossos concidadãos vão ter a oportunidade de fazer do Livre aquilo que muita gente na rua nos diz que quer: um Livre que não se contente com ser um partido pequeno”, afirmou.

O comité conclui que o Livre provou estar alinhado com os princípios e os valores dos Verdes Europeus e destaca o seu “dinamismo e ativismo” em matérias como o combate às alterações climáticas, justiça social, direitos humanos e direitos LGBTQI.

No congresso, em Viena, os delegados vão também votar uma recomendação do comité para que o Pessoas-Animais-Natureza (PAN) seja integrado no Partido Verde Europeu, mas com o estatuto de membro associado.

Numa nota enviada à imprensa, a porta-voz do PAN, Inês Sousa Real, considerou que esta reunião magna “é estratégica, não só porque se realiza um ano antes das eleições europeias de 2024, mas também porque sinaliza a adesão do PAN a esta família política que, mais do que qualquer outra, tem uma missão estratégica: pôr Europa no rumo da justiça social e climática”.

No relatório é referida a opinião do PEV sobre as duas adesões, considerando que tanto o Livre como o PAN “não são integralmente partidos ecologistas”.

Apesar de não estar a favor, o PEV informou os Verdes Europeus de que “não se vai opor ativamente” às duas adesões.

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