13 mortes em 11 anos no Gerês. Porque é que a cascata mais perigosa de Portugal não é vedada?

13 mortes em 11 anos no Gerês. Porque é que a cascata mais perigosa de Portugal não é vedada?
| Norte
Maria Leonor Coelho

Um homem de 52 anos, de nacionalidade francesa, morreu esta terça-feira na sequência de uma queda na cascata do Tahiti, no Parque Nacional da Peneda-Gerês.

A vítima estaria a fazer montanhismo com a família quando sofreu uma queda de vários metros, acabando por ficar submersa. O filho, que também estava no local, ainda o tentou socorrer, mas sem sucesso.

O corpo ficou preso numa zona de difícil acesso, o que complicou a operação de resgate. O cadáver só foi retirado do local pelas 16h30, mais de cinco horas depois do alerta.

No local, estiveram mais de 60 operacionais apoiados por 20 viaturas dos Bombeiros, da Cruz Vermelha, do INEM e da GNR.

Perigo de Morte

Nos últimos anos, a cascata do Tahiti foi palco de vários acidentes, alguns dos quais fatais. Em termos práticos, num espaço de 11 anos, morreram 13 pessoas, o que levou o presidente da Câmara Municipal de Terras de Bouro a anunciar a intenção de vedar o acesso a banhos no local.

No ano passado, Manuel Tibo submeteu uma candidatura para a requalificação daquele espaço como um miradouro, ao ministério do Ambiente, do qual agora aguarda pela decisão final.

Contactado pelo Porto Canal, o edil de Terras de Bouro garante que “se tivesse esse poder já tinha fechado a cascata” e lamenta que seja “preciso continuar a perder vidas na serra para a campainha soar”.

Na opinião do autarca, “o espaço é perigoso e precisa de ser vedado, a cascata pode e deve continuar a ser visitada, mas há locais que têm de ser vedados”.

 
 
 
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Enquanto não se avança com a intervenção, o presidente da Câmara de Terras de Bouro promete “não enterrar a cabeça na areia” e garante que vai fazer tudo o que estiver ao alcance da autarquia para prevenir situações idênticas.

No entanto, tem consciência do perigo que, entretanto, se vive. “Estamos muito próximos do verão e por mais que haja placas a identificar o perigo de morte e a recomendar o uso de calçado adequado, há sempre acidentes”, explica.

Governo de braços cruzados

A cascata está inserida no Parque Nacional da Peneda-Gerês, pelo que a intervenção “é uma questão do Governo”, explica Manuel Tibo.

Embora o presidente da Câmara tenha manifestado interesse em restringir o acesso a banhos na zona, o Governo ainda não avançou com o investimento.

O autarca admite estar “saturado de estar sempre a falar do mesmo assunto e de ver o tempo a passar sem que nada seja feito”.

Assim, faz um apelo ao Governo para que avance o mais rapidamente possível com a vedação da cascata e explica que embora seja necessário um investimento, “o destino trará retorno a nível nacional”.

“Mais de 50% das visitas ao parque nacional são feitas no município de Terras de Bouro, pelo que tem de haver um olhar diferente perante esta zona”, remata.

Notícia editada por Francisco Graça

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