Barragem do Tua. “Uma integração perfeita” entre o fim do edifício e a estética

Barragem do Tua. “Uma integração perfeita” entre o fim do edifício e a estética
André Arantes
| Norte
Ana Mota

O edifício fica soterrado entre os vales da região do Douro, junto à margem do rio Tua. Do exterior só se vê o complexo de máquinas. Só o essencial. O que não era possível colocar dentro da terra. A Central Hidroelétrica da Foz do Tua foi o primeiro projeto do arquiteto Eduardo Souto Moura numa barragem. O programa era eliminar todo o carácter do edifício e reduzir o impacto da infraestrutura na paisagem do Douro Vinhateiro. Souto Moura conseguiu-o. Numa integração “perfeita entre o fim do edifício e a estética”.

A barragem e a central hidroelétrica da Foz do Tua entraram em funcionamento em 2017, depois da conceção do projeto inovador, único a nível nacional. O design, aliado à inovação tecnológica, ditam a particularidade da estrutura. “Esta central é altamente digitalizada, a manutenção e a operação são digitalizadas. A sensorização da barragem também é completa e o controle é feito à distância. Existem vários fatores que representam tecnologia de ponta nesta área”, começa por explicar Pedro Ribeiro, responsável de operação da Movhera.

Para além de altamente tecnológico, o aproveitamento hidroelétrico de Foz Tua está implementado de forma reversível, o que significa que para além das descargas para a produção de energia, a central permite que a água seja enviada novamente para a albufeira de forma a que essa energia seja gerada quando necessário. “O facto de ser reversível significa que pode funcionar nas duas direções, ou seja, a água que está a montante é enviada para jusante de forma a produzir energia. No caso reverso, utiliza a água que está a jusante para montante para acumular mais água no reservatório da albufeira de forma a produzir, mais tarde, energia.”, explica Pedro Ribeiro.

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Projeto de Eduardo Souto Moura

O valor do edifício é acrescentado pelo projeto de arquitetura. A obra, “quase integralmente subterrânea", adota formas e materiais característicos da região. Estão presentes os socalcos, o granito, as oliveiras. “Diria que este é um design magnífico de um arquiteto muito conceituado que nos orgulha ter na nossa cidade e portanto, não vejo que isto tenha outro destino que não seja, mais tarde ou mais cedo, alguém classificar isto como um equipamento de interesse nacional”, acrescenta Pedro Ribeiro. O projeto teve que cumprir com os requisitos da UNESCO. É um parque industrial em que os edifícios principais, com a volumetria maior, não chocam na paisagem do Douro Vinhateiro.

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Aproveitamento hidroelétrico

O potencial hídrico da central hidroelétrica da barragem do Tua representa 0,4% do consumo nacional. Nos anos melhores, com menos períodos de seca, a produção pode atingir os 350 Ghz hora. “A independência energética e a questão da descarbonização estão na ordem do dia, portanto, temos aqui o potencial hídrico nacional que está bem desenvolvido. Temos essa característica, de que não estamos a produzir energia e transmitir CO2 e, por outro lado, é uma energia endógena, local. Não estamos dependentes de qualquer fator que ocorra fora do país como é o caso neste momento da questão da Ucrânia e da dependência do gás. De facto, esta é uma energia absolutamente essencial e vai ser essencial durante bastantes anos até eventualmente existirem outras fontes que a possam substituir”, diz Pedro Ribeiro.

A central hidroelétrica da Foz do Tua foi adquirida pela EDP mas, neste momento, é concessionada pela Engie que tem direito à exploração da barragem até 2092.

 

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