Dragões de Ouro. "Os meus dias são daqueles que encheram o FC Porto de glória", afirma Pinto da Costa
Porto Canal
Jorge Nuno Pinto da Costa encerrou a gala dos Dragões de Ouro com o habitual discurso de saudação a todos os premiados.
No final da 35.ª cerimónia dos Dragões de Ouro, que reuniu a família portista no Dragão Arena para premiar todos aqueles que se destacaram nas suas funções em prol do FC Porto em 2022, Jorge Nuno Pinto da Costa recuou até à criação dos Dragões de Ouro, em 1986 e lembrou que cada um deles faz “parte indiscutivelmente da história do FC Porto”, antes de falar sobre todos e cada um dos premiados da noite.
Após a admirável memória demonstrada ao percorrer datas, lembrar nomes e o percurso dos 18 galardoados da noite, o presidente recorreu a Alberto Caeiro, heterónimo de Fernando Pessoa, para afirmar que todos os seus dias são dos que “encheram de glória o FC Porto”, sejam eles atletas, treinadores ou elementos fundamentais no desenvolvimento do clube. Por fim, pediu que todos imaginassem os seus braços como “asas de um Dragão” que serviram para envolver todos os presentes num “abraço fraterno de muita amizade, de muita gratidão e esperança no futuro de todos e do FC Porto”. Com 2022 a terminar, que venha um “ano novo cheio de vitórias do FC Porto”.
Jorge Nuno Pinto da Costa
“Compreenderão que ao fim de 40 anos tenho a noção de que já estarão fartos de me ouvir falar. Naturalmente que hoje é-me extramente difícil, pelas emoções que aqui já vivemos, ao ver passar filmes de pessoas que nos são muito queridas e não estão connosco. Não posso, num momento destes, não recordar a história dos Dragões de Ouro. Foram uma criação de uma direção minha que entendeu que era o melhor título para galardoar os melhores de cada época. Em 17 de janeiro de 1986, pela primeira vez entregamos os Dragões de Ouro referentes a 85. Lembro-me como se fosse hoje porque senti que uma ideia que tinha tido há muito tempo estava materializada numa linda festa no Casino da Póvoa. Recordo que, na altura, foram galardoados e hoje fazem parte indiscutivelmente da história do FC Porto Artur Jorge, Fernando Gomes, Aurora Cunha, Fernanda Ribeiro, Cristiano Trindade e Rui Borges. Tivemos, nesse conjunto, outras figuras como Valter Morais e o funcionário António Figueiredo. Invoco-os hoje aqui com saudade e com muita satisfação, mas vejo a seguir o caminho que seguimos até hoje. 37 anos depois, conseguimos ter um leque formidável de novos Dragões de Ouro. Desde o Dragão de Ouro de Casa FC Porto, que foi atribuído à Casa de Albergaria-a-Velha, que soube durante a pandemia manter a coesão e a unidade entre todos os seus associados e que ainda teve a capacidade de fazer eventos em favor dos mais desfavorecidos da região. O Dragão de Ouro de Quadro do ano foi entregue a Basílio Moreira. Há 25 anos já completados que serve o FC Porto dedicadamente, competentemente e discretamente, como deve ser o exemplo para todos os que entram de novo no FC Porto. O Dragão de ouro de Atleta Amador foi entregue a dois grandes atletas. Ao Daniel Sánchez, o catalão mais portuense que conheço, tão portuense como os verdadeiros portuenses, que há mais de uma dúzia de anos serve o FC Porto e passeia a sua classe pelo mundo fora com o emblema do FC Porto ao peito. Este ano, foi só Campeão da Europa individualmente e pelo FC Porto. Com a ajuda valiosa dos seus colegas, conquistámos a Taça dos Campeões Europeus da modalidade. Na natação, tivemos igualmente alguém que com muitas horas de treino e estágio, com grande esforço, manter bem viva a bandeira do FC Porto no ponto mais alto da natação europeia. O prémio de Atleta de Alta Competição, entregue ao Gonçalo Alves, símbolo de uma secção gloriosa e vitoriosa há dezenas de anos, que representa os valores do FC Porto, que se entrega ao jogo com grande entusiasmo, dedicação e competência, e que ajudou a que o FC Porto conquistasse a Taça de Portugal , o Campeonato Nacional e do Mundo com a ajuda dos seus colegas e a preciosa orientação do seu treinador. O Dragão de Ouro de Atleta Jovem do Ano, entregue ao Gonçalo Ribeiro, fruto das nossas escolas como vem sendo hábito nos guarda-redes que vestiram a camisola do FC Porto. É um jovem que, com 16 anos, já conseguiu chegar à equipa B do FC Porto. Se quiser e quererá certamente, se souber e saberá certamente, vai usar as suas qualidades e trabalho, vai ser um grande valor do FC Porto. A Revelação do Ano, o Gonçalo Borges, a gazela do futebol português. Uma potencialidade extraordinária, uma orientação para o que faz que lhe tem dado muitos frutos. Se souber e continuar a dedicar-se e ouvir os conselhos do treinador, será um valor seguro do FC Porto e do futebol português. O Futebolista do ano, o Otávio. O Otávio, a quem os colegas chamam carinhosamente de baixinho, é do tamanho, dentro do campo, da Torre dos Clérigos. Corre o campo todo, tem pilhas que não acabam. Disputa o primeiro lance do jogo como se fosse o último e vice-versa. Tem tudo para continuar a brilhar no futebol português e a ser um verdadeiro Dragão de Ouro no FC Porto. O Atleta do Ano, um jovem. Desde os 12 anos no FC Porto deu razão à sua paixão de ser guarda-redes. Acompanhei o seu crescimento nos diversos setores, conseguiu a pulso chegar à equipa A. Com trabalho, com a intuição que tinha, a inteligência e força de vontade, quando o seu treinador, com espanto de muitos e acordo de alguns, o lançou como guarda-redes principal da nossa equipa e ele respondeu de forma brilhante, conquistou o lugar como titular da nossa equipa e tornou-se o melhor guarda-redes português que o levou até à seleção nacional. O Treinador do ano não podia ser o outro que não o Sérgio Conceição. Não é por eu ser padrinho dele como ele disse aqui na brincadeira porque meus afilhados são os que sentem, vibram e sentem o FC Porto da mesma maneira que ele. Os que são assim são todos meus afilhados no bom sentido. Tive muito prazer, como presidente e como amigo, de entregar o quarto Dragão de Ouro da carreira de Sérgio Conceição. Estou crente de que não foi o último nem sequer o penúltimo. O Dragão de Ouro Carreira foi entregue a um grande portista, a um grande homem que ama a cidade do Porto como demonstrou na sua intervenção, Leandro Massada. Vi-o nascer para o andebol, ainda de 11, e ele com corpo franzino tornou-se rapidamente o melhor jogador português da sua geração. O prémio Carreira foi hoje atribuído porque desde o dia 1 de janeiro de 1977, firmou um contrato como médico do FC Porto, contrato esse que se mantém hoje e cooperação que se verifica para bem da saúde dos nossos atletas. Foi realmente um ato de justiça que me deu muita satisfação. O Sócio do Ano, o doutor Fernando Póvoas. Quase toda a gente o conhece. Dessa quase toda a gente, acho impossível que não gostem dele. Pela sua alegria, inteligência e sentido de humor conquista toda a gente. Quando eu era diretor, ele era médico nas camadas jovens. Aí demonstrou sempre um amor fantástico ao FC Porto e esse amor levou a que, em tempos difíceis que recentemente passámos, quando todas as entidades nos fecharam as portas e os bancos nos tentaram asfixiar, o doutor Fernando Póvoas, anonimamente, esteve sempre disponível para nos ajudar a resolver e ultrapassar os problemas. Um grande abraço. O Dirigente do Ano, Dr. Fernando Gomes. Numa época difícil, muito difícil, em que o FC Porto de repente ficou sem o responsável financeiro do clube e da SAD, recorri a um telefonema e convidei-o para almoçar, nem ele sabia o que lhe esperava. Fiz-lhe ver a situação difícil que O FC Porto atravessava, compreendia que com o seu prestígio e passado político e com o estatuto de grande homem do Porto, seria difícil aceitar. Mas depois de lhe explicar o que se passava, disse-me apenas: ‘Se o FC Porto precisa de mim e se o Jorge Nuno quer, tem a minha anuência’. Num momento de maiores dificuldades, em que caímos no fair-play financeiro fruto de decisões que não deram o que esperávamos, teve a coragem de enfrentar problemas com amor ao FC Porto e conseguiu-o na época passada. Saímos deste flagelo que era o fair-play financeiro sem quebra da competitividade desportiva porque fomos campeões em quase todas as modalidades. O Dragão Recordação, Maria Amélia Canossa. Conheci-a, talvez os filhos não saibam, tinha ela 18 anos. Foi a princesa da rádio portuense num concurso nacional levado a cabo pela revista Flama. Desde aí mantivemos um contacto e uma grande estima porque tínhamos em comum o amor ao FC Porto. Hoje, não é possível lembrarmo-nos de Maria Amélia Canossa sem nos lembrarmos do hino e não é possível entoar o hino do FC Porto sem nos lembrarmos da Maria Amélia Canossa. Eternamente, será uma recordação viva no coração de todos os portistas. Finalmente, o Dragão de Honra do FC Porto que tive o imenso gosto de entregar ao D. Américo Aguiar. Não vou falar aqui de como conheci o padre Américo, do nosso percurso até hoje, da nossa ligação ao D. António Francisco porque o controle das emoções do ser humano tem limite. Eu sei que o senhor sabe a alegria que senti ao entregar este troféu. O senhor sabe que eu sei também a alegria com que o recebeu. Nós os dois sabemos que, no céu, alguém que o guia e o ilumina, e a mim me protege, estará tão satisfeito como nós. Minha senhoras e meus senhores, tenho tempo limitado e não sabia ainda ontem o que viria dizer. Quando ontem à noite, como hoje à tarde, assistia aqui deliciado ao ensaio dos artistas que aqui atuaram, estava a pensar no que haveria de dizer. Tentei lembrar-me do que disse no ano passado, e então lembrei-me que desenvolvi a minha conversa a partir de uma frase linda de Fernando Pessoa, que disse “Deus quer, o Homem sonha, a Obra nasce”. Não sei o que disse depois. Fui ver se encontrava algum que poderia servir de mote para esta noite. Fui colher vários e encontrei: ‘Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia, Não há nada mais simples. Tem só duas datas—a da minha nascença e a da minha morte. Entre uma e outra coisa todos os dias são meus’. Os meus são vossos da minha família aqui presente, da que não está presente, dos meus amigos de décadas aqui à minha frente, destes com os quais nos últimos 40 anos consegui criar uma amizade sólida, sincera e desinteressada. Vossos daqueles que com a camisola do FC Porto, em todas as modalidades, encheram o FC Porto de glória. Vossa a todos os treinadores que prestigiam e põem o FC Porto no caminho da glória, vossa dos que estais aqui, vossa dos campeões do desporto adaptado que são tao importantes no nosso clube. Vossa que acedestes ao nosso convite sem interesses e só por respeito e amor ao FC Porto. Os meus dias, com a garantia de que vão ser alguns, vão ser realmente vossos. Queria apenas que imaginassem que os meus braços se transformam nas asas de um Dragão, muito grandes, o e que vos envolvem num abraço fraterno de muita amizade, de muita gratidão e esperança no futuro de todos nós e do FC Porto. E a todos, desejar-lhes um feliz e santo Natal e um ano novo cheio de vitórias do FC Porto. Muito obrigado.”
