Montenegro diz que SNS só melhorará quando PS reconhecer desinvestimento histórico

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Porto Canal

O presidente do PSD defendeu hoje que em nenhum outro momento da história houve tanto desinvestimento no Serviço Nacional de Saúde (SNS) como no governo de António Costa, que, não o reconhecendo, também não saberá solucionar os respetivos problemas.

As declarações de Luís Montenegro foram proferidas a propósito da carta que médicos de ginecologia e obstetrícia dirigiram hoje à ministra da Saúde anunciando que apresentarão escusa de responsabilidade sempre que forem destacados para o trabalho de urgência hospitalar sem que as respetivas escalas estejam de acordo com o Regulamento n.º 915/2021 de 15.10.2021.

“Podem vir com os papões que quiserem – falar de neoliberalismo no PSD, de governação difícil nos tempos em que tivemos intervenção externa – mas não há momento histórico em que tenha havido maior desinvestimento no SNS – na qualidade do serviço prestado e na sua capacidade de ter mais e bons profissionais – do que nestes anos [de gestão socialista]”, declarou o líder social-democrata, acrescentando que, “enquanto o PS não tiver capacidade de reconhecer isso, vai continuar a dizer que está tudo bem e a não ter capacidade de resolver esses problemas”.

Para Luís Montenegro, a decisão dos ginecologistas e obstetras reflete o ponto crítico a que chegou o SNS e, considerando que os socialistas estão na liderança do país há sete anos, “há mais do que razões para se poder assacar responsabilidade direta ao primeiro-ministro, ao governo do PS e à ministra da Saúde”.

O presidente do principal partido da Oposição ironiza que a postura dos socialistas tem sido, aliás, a de que “tudo o que acontece em Portugal é culpa de alguém menos do Governo” e parece mesmo insinuar que o SNS não enfrentaria problemas se os portugueses não insistissem em adoecer.

Para Luís Montenegro, a realidade, contudo, é que os serviços de saúde representam atualmente “um drama quotidiano” para os portugueses, seja para os doentes, seja para os que sentem “a angústia” de poder vir a necessitar do SNS, pelo que “o Governo tem que ter a humildade de reconhecer que as políticas que desenvolveu conduziram a esta situação”.

“Não chegámos aqui por acaso, em primeiro lugar porque houve um grande desinvestimento nos serviços públicos em geral e no da saúde em particular, e, em segundo, por teimosia ideológica, porque o sistema de saúde em Portugal não tem uma forma coordenada e complementar de associar o SNS com a oferta do privado e social”, argumenta o presidente do PSD.

Referindo que esse estado de coisas também se deve à “ideologia comunista e bloquista”, que aponta como corresponsável pelos erros do PS, Montenegro culpa o governo de António Costa por ter degradado a qualidade do serviço e das carreiras clínicas, do que resulta que o setor não tem atratividade nem capacidade de retenção de profissionais – o que impede, por exemplo, o funcionamento de urgências em horários normais, “num efeito bola de neve em que, à medida que o tempo passa, a situação fica mais agudizada”.

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