Óbito/Eduardo dos Santos: Portugal destaca mandato "longo, difícil e complexo"

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Porto Canal / Agências

A família da assassinada jornalista palestiniana Shireen Abu Akleh solicitou hoje uma reunião com o presidente dos EUA, Joe Biden, durante a visita deste à região na próxima semana, e acusou Washington de encobrir o assassinato.

"Nós, a família de Shireen Abu Akleh, escrevemos-lhe para expressar a nossa dor, indignação e sentimento de traição pela resposta abjeta do seu governo ao assassínio extrajudicial da nossa irmã e tia pelas forças israelitas em 11 de maio de 2022", assinalou a família numa carta enviada hoje a Joe Biden.

Na missiva, criticaram fortemente as conclusões da investigação norte-americana anunciada na última segunda-feira.

De acordo com um comunicado do Departamento de Estado dos Estados Unidos, divulgado em 04 de julho, a análise de peritos norte-americanos à bala que matou a jornalista da Al Jazzera, de dupla nacionalidade palestiniana e norte-americana, não chegou a nenhuma conclusão definitiva sobre a origem da bala que matou Shireen na cidade de Jenin durante uma operação militar israelita, e estando o projétil "muito danificado".

"Nos dias e semanas desde que Shireen foi morta por um soldado israelita, não apenas não fomos adequadamente consultados, informados e apoiados por funcionários do governo dos EUA, mas as ações do seu governo exibem uma aparente intenção de enfraquecer os nossos esforços por justiça", acrescentou o texto, que citou várias investigações independentes que apontam para a responsabilidade do exército israelita.

A morte da jornalista veterana da Al Jazeera ocorreu durante uma incursão de tropas israelitas na cidade de Jenin, e tanto os meios de comunicação internacionais como as investigações das Nações Unidas descartaram a teoria israelita de que Abu Akleh poderia ter sido atingido por tiros de milícias palestinianas.

"Todas as provas disponíveis sugerem que Shireen, uma cidadã norte-americana, foi alvo de uma execução extrajudicial, mas o seu governo falhou completamente na resposta às expectativas mínimas de uma família enlutada: garantir uma investigação rápida, completa, credível, imparcial, independente, um processo eficaz e transparente que leve à justiça e responsabilização pelo assassíno de Shireen", podia ler-se na carta da família.

Além disso, acusaram o governo Biden de "encobrir qualquer tipo de crime de Israel", "adotar as suas conclusões e perspetivas" e "perpetuar a impunidade".

A família apresentou ainda uma série de pedidos ao presidente norte-americano antes de sua visita à região, de 13 a 15 deste mês e que incluirá reuniões com líderes israelitas e palestinianos.

Os pedidos incluem não apenas uma reunião com a família onde as suas preocupações são abordadas, mas também que o Departamento de Estado retire as conclusões da sua investigação, que os familiares recebam todas as informações reunidas por funcionários dos EUA sobre o caso e que seja iniciada uma investigação do Departamento de Justiça em Washington.

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, João Gomes Cravinho, disse hoje que o antigo Presidente angolano José Eduardo dos Santos, que morreu hoje, tem um papel "indelével na história de Angola", num mandato presidencial "longo, complexo e difícil".

"Portugal lamenta profundamente a morte de José Eduardo dos Santos", afirma o ministro, num testemunho enviado à Lusa, em que salienta a figura "profundamente marcante, indelével da história de Angola independente" do antigo líder.

"O seu longo período no poder foi complexo e difícil, houve anos de guerra e de paz, e quero sublinhar essa capacidade que teve de, juntamente com a outra parte, encontrar o caminho para a paz, foram anos em que depois da guerra civil se conseguiu implementar um processo democrático e ao longo de todos os anos em que foi Presidente da República, Portugal nunca deixou de ser uma referência e houve sempre uma procura de proximidade de parte a parte, apesar das dificuldades, em parte elas próprias resultando da grande proximidade sentida entre os povos", conclui Gomes Cravinho.

José Eduardo dos Santos morreu hoje aos 79 anos numa clínica em Barcelona, Espanha, após semanas de internamento, anunciou a presidência angolana, que decretou sete dias de luto nacional.

José Eduardo dos Santos sucedeu a Agostinho Neto como Presidente de Angola em 1979 e deixou o cargo em 2017, cumprindo uma das mais longas presidências no mundo, marcada por acusações de corrupção e nepotismo.

Em 2017, renunciou a recandidatar-se e o atual Presidente, João Lourenço, sucedeu-lhe no cargo, tendo sido eleito também pelo Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), que governa no país desde a independência de Portugal, em 1975.

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