Objectos de design em feltro feitos por ex-alcoólicos com loja em S. João da Madeira

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Porto Canal / Agências

S. João da Madeira, 03 jun (Lusa) - A Oliva Creative Factory, de S. João da Madeira, inaugura na sexta-feira a primeira loja da marca "Feltrando", onde se irão vender objetos de 'design' concebidos por uma escultora e depois executados por ex-alcoólicos, em edições limitadas.

Funcionando simultaneamente como ateliê de produção, a nova loja é o culminar de um projeto de empreendedorismo social que em 2013 já venceu o Oliva Rewind Award, ao destacar-se entre outras propostas empresariais pela sua componente de reinserção profissional e pela incorporação de resíduos de feltro em acessórios de moda, mobiliário e utilitários.

Filomena Almeida é a escultora que assina o desenho inicial das criações "Feltrando" e explicou à Lusa: "Partimos da tradição das sacas de feltro que as mulheres da cidade faziam com os desperdícios das fábricas de chapelaria, nos anos 40 e 50, e decidimos recuperar esse conceito criando agora objetos de 'design' com sentido de moda, como acessórios, bolsas de senhora, capas de iPad e móveis antigos reinventados".

A matéria-prima provém da única empresa de S. João da Madeira que continua a fabricar chapéus na atualidade - a Fepsa, líder mundial na produção de feltro de qualidade superior - e a conceção prática das peças é assegurada, "sempre artesanalmente", por dois ex-alcoólicos recrutados para a "Feltrando" ao abrigo de contratos Emprego-Inserção.

"Este projeto começou como terapia ocupacional e, em cerca de dois anos, deve ter envolvido cerca de 20 pessoas", revela Branca Correia, diretora técnica do "Trilho", a valência da Misericórdia local dedicada a toxicodependências e casos de SIDA. "Depois perdemos o financiamento, mas estes colaboradores mantiveram-se ligados ao projeto como voluntários e, a certa altura, percebemos que podíamos ter aqui uma mais-valia em termos de profissionalização", acrescenta.

O inicial trabalho terapêutico em gesso, latão e madeiras foi então superado pelo potencial empresarial dos restos de feltro, para efeitos de Design Sustentável e do chamado Redesign. "Percebemos que podíamos simultaneamente recuperar pessoas, recuperar tradições e recuperar mobiliário, tudo graças a um resíduo industrial que mantém as qualidades da matéria-prima original de que é retirado", sintetiza Branca Correia.

Quanto ao preço das peças da "Feltrando", a diretora técnica do "Trilho" admite que esse "pode ser considerado pouco acessível" por alguns consumidores, mas garante que cada artigo da marca "dá ao cliente a garantia de ter um produto manufacturado, de que só há, no máximo, dois ou três exemplares iguais".

Amadeu Lopes é um dos artesãos que assegura essa exclusividade e, aos 46 anos, admite que a troca do álcool pelo feltro tem valido a pena. "Sinto-me com mais saúde e, pela minha parte, vou contribuir no que puder para que o 'Feltrando' corra bem", anuncia.

António Azevedo é o seu colega de produção e, com 58 anos, mostra-se particularmente grato pela sua nova condição laboral. "Tenho oportunidade de voltar ao que fazia na construção civil, na recuperação de móveis, e sinto que isto vai mudar a minha vida", afirma. "Agora tenho um salário e posso pagar as minhas despesas", conclui.

AYC // JGJ

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