Artista multidisciplinar Inês Campos estreia nova obra no Teatro do Bairro Alto

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Porto Canal com Lusa

Redação, 17 jun 2021 (Lusa) - Movimento, palavra e som, num ambiente ilusório, misturam-se na nova criação de Inês Campos, "Artifici?u", que se estreia na sexta-feira, no Teatro do Bairro Alto (TBA), em Lisboa.

Neste espetáculo, Inês Campos explora as leis da perceção da mente humana, numa viagem que questiona os pressupostos da linguagem, do tempo, da expectativa e da beleza.

A criadora e sua equipa entrelaçam dança, teatro visual e música, criando uma colagem de acontecimentos com base numa ideia de padrão em repetição, mas sem nunca ser igual.

Através deste processo, a artista informa continuamente o que se segue e que vive de referências conscientes e inconscientes, num espetáculo que usa a sincronia entre o movimento, a luz e o som, num efeito "Mickey Mousing" - técnica com origem no cinema de animação que sincroniza movimento e música -, sobrepondo camadas que coabitam de forma quase incongruente e que podem ter várias leituras simultâneas.

Inês Campos, cofundadora da banda Sopa de Pedra, é uma artista multidisciplinar, que trabalha como coreógrafa, atriz, bailarina, música e artista visual, tendo colaborado em peças de coreógrafos como Tânia Carvalho, Flora Détraz, Sofia Dias e Vítor Roriz, e em projetos de artistas visuais como Kalle Nio.

A estreia de "Artifici?u" acontece depois do espetáculo a solo "Coexistimos", em 2018, dando continuidade a "projetos artísticos híbridos" que exploram a relação entre o corpo e o seu lugar simbólico, a partir de "um imaginário de poesia pragmática, ou realismo mágico, que justapõe o real e o irreal".

O espectáculo inclui fragmentos e citações da série televisiva "Undone", de Raphael Bob-Waksberg e Kate Purdy, que joga com a natureza elástica da realidade, e da obra-chave de John Berger, "Modos de Ver", que transformou a perceção da arte, nos últimos 40 anos, a partir de um ensaio e de uma série de televisão (BBC), demonstrando como conceitos de beleza, verdade, género e classe social moldam a perspetiva da realidade.

A execução de "Artifici?u" conta com Inês Campos e Dylan Read.

A sonoplastia é de Filipe Fernandes, Inês Campos e João Grilo e o desenho e operação de luz é de Mariana Figueroa.

Os objetos em palco e a cenografia são de Inês Campos e João Calixto.

"Artificiu" terá representações na sexta-feira e no sábado, às 19:00, e, no domingo, às 17:00.

Formada na Escola Superior de Dança e na Escola Internacional de Teatro Jacques Lecoq, em Paris, Inês Campos participou nas digressões internacionais de "Sons Misteriosos", de Sofia Dias e Vitor Roriz, de "Muyte Maker", de Flora De´traz, e "Icosahedron", de Ta^nia Carvalho.

Com Marta Cerqueira criou "Sublinhar", e fez parte do projeto coletivo "This Takes Time", com Aleksandra Osowicz, Filipe Pereira, Helena Martos e Matthieu Ehrlacher, que promoveu "o encontro entre cinco autores, 23 quilos de plástico e 1710W de potência em ventoinhas", para um estudo de organismos em constante transformação.

Participou nas longas-metragens "A Metamorfose dos Pa´ssaros", de Catarina Vasconcelos, "Amor Fati", de Cla´udia Vareja~o, e "Body Buildings", de Henrique Ca^mara Pina.

Como artista visual, tem peças em vídeo, design e a partir de objetos pré-existentes.

CP // MAG

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