Políticas públicas "não podem ignorar" sobrevivência dos media

| Economia
Porto Canal com Lusa

Cascais, Lisboa, 02 dez 2019 (Lusa) -- A presidente do Sindicato dos Jornalistas (SJ) defendeu hoje, em Lisboa, que as políticas públicas "não podem ignorar" as dificuldades de sobrevivência das empresas de comunicação, nem o desemprego registado no setor.

"A existência de uma imprensa livre e independente é essência da democracia. Os media desempenham uma relevante função social de escrutínio e vigilância, com garantias de pluralismo e diversidade, rigor e isenção", afirmou Sofia Branco, que falava na conferência "Financiamento dos Media", organizada pelo sindicato e que decorre hoje em Cascais.

Assim, defendeu, "as políticas públicas não podem ignorar as dificuldades de sobrevivência das empresas de comunicação, nem o crescente desemprego entre os jornalistas".

Por outro lado, conforme acrescentou esta responsável, o Estado não pode ser alheio aos salários praticados no setor e aos vínculos precários dos jornalistas.

Citando dados do ISCTE, a presidente do SJ vincou que um terço dos jornalistas exerce a função sem vínculo laboral e que "se lhe juntarmos os jornalistas com contrato a termo", o número sobe para metade.

"O setor nunca esteve tão frágil e tempos excecionais exigem medidas excecionais", considerou.

Durante a sua intervenção, Sofia Branco considerou ainda que é "imperioso" debater o papel do Estado na comunicação social, ressalvando, porém, que o caminho não deverá ser pela "intervenção direta".

O sindicato defendeu também o reforço do orçamento da agência Lusa e da RTP, "para que continuem a assegurar um serviço público de qualidade" e apelou para o fim dos bloqueios à contratação.

Para esta estrutura, o Estado pode ter um papel mais ativo, por exemplo, criando regras especificas de governança "para um setor que não pode ser encarado como mero negócio", obrigar os administradores a um escrutínio de independência, dotar o regulador de meios para supervisionar a transparência dos negócios, reduzir impostos e aliviar custos, aumentar os benefícios e incentivos fiscais, bem como "obrigar as empresas de 'clipping' a pagarem mais pela utilização dos conteúdos jornalísticos.

PE/ICO // MSF

Lusa/Fim

+ notícias: Economia

Ministro da Economia critica resistência francesa ao gasoduto dos Pirinéus

O ministro da Economia considera um "erro estratégico grande" a falta de um mercado energético único na União Europeia e diz que "a realidade" se impõe a discursos como o da resistência francesa ao gasoduto dos Pirenéus.

Proposta de aumentos leva a perda de poder de compra da função pública, alerta STE

A presidente do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE), Helena Rodrigues, considerou esta segunda-feira que a proposta do Governo para aumentar a função pública é insuficiente face à inflação e levará a uma perda de poder de compra.

Valorização da administração pública de 5,1% vai custar 1.2 mil milhões de euros

 As medidas de valorização da administração pública, incluindo aumentos salariais, promoções e progressões e a revisão da tabela remuneratória, terão um impacto orçamental de 1.2 mil milhões de euros em 2023, avançou à Lusa a ministra da Presidência.