Economistas esperam desaceleração do PIB no 3.º trimestre face aos três meses anteriores

| Economia
Porto Canal com Lusa

Lisboa, 13 nov 2019 (Lusa) - Os economistas ouvidos pela Lusa antecipam que a economia portuguesa tenha crescido, em média, 0,4% no terceiro trimestre face aos três meses anteriores, abaixo do registado no trimestre anterior, e 2% relativamente ao mesmo período do ano passado.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulga na quinta-feira a estimativa rápida das Contas Nacionais Trimestrais, ou seja, os primeiros números sobre a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) entre julho e setembro.

Os economistas ouvidos pela agência Lusa preveem, em média, que o PIB tenha crescido 0,4% no terceiro trimestre na comparação com os três meses anteriores, abaixo do crescimento de 0,6% registado no segundo trimestre.

Já em termos homólogos, ou seja, na comparação com o mesmo período do ano anterior, a média das estimativas aponta para uma expansão de 2% do PIB, uma décima acima do crescimento de 1,9% registado entre abril e junho.

As previsões mais otimistas são do Núcleo de Estudos de Conjuntura da Economia Portuguesa (NECEP) da Universidade Católica, que antecipa que a economia tenha crescido 0,5% no terceiro trimestre face aos três meses anteriores, uma décima abaixo do registado no trimestre anterior.

Em termos homólogos, a Católica antecipa uma expansão do PIB de 2,1% entre julho e setembro, mais duas décimas do que no trimestre anterior.

Na Folha Trimestral de Conjuntura, divulgada em 09 de outubro, o NECEP indicava que se trata de previsões "sem alteração significativa face aos níveis de crescimento do trimestre anterior".

A Nova SBE/MacroNova também antecipa uma expansão de 0,5% do PIB em cadeia no terceiro trimestre.

"Esta evolução representa uma desaceleração do ritmo de crescimento relativamente aos dois primeiros trimestres do ano, onde se registou uma variação de 0,6%", indicam Pedro Brinca e João Duarte, professores da Nova SBE, à Lusa.

Em termos homólogos, a NOVA SBE prevê uma expansão de 1,8% do PIB, também ligeiramente abaixo dos 1,9% registados nos três meses anteriores.

"A ligeira desaceleração do crescimento do PIB no terceiro trimestre face aos trimestres anteriores está de acordo com o esperado e justifica a revisão em baixa anteriormente feita pelo Governo da previsão de crescimento para a economia portuguesa, este ano, em três décimas, dos 2,2% previstos no Orçamento do Estado para 2019, para 1,9%", indicam os professores da Nova SBE.

Já a estimativa do ISEG (Grupo de Análise Económica/Síntese de Conjuntura) para a evolução do PIB no terceiro trimestre é de um crescimento de 0,4% em relação ao trimestre anterior e de 2% em termos homólogos.

A previsão mais modesta para a evolução do PIB em cadeia, no terceiro trimestre, é do Montepio, que antecipa uma expansão de 0,3% face aos três meses anteriores, metade do registado no trimestre anterior.

"A nossa estimativa é de um crescimento em cadeia de 0,3% (entre 0,2% e 0,4%) no terceiro trimestre e um crescimento homólogo de 1,9%", referiu à Lusa Rui Bernardes Serra, economista-chefe do Montepio.

Segundo os dados do INE atualizados com a base 2016, o PIB cresceu 0,6% no primeiro trimestre, na comparação com os três meses anteriores, e 2,1% face ao mesmo período do ano passado.

Já no segundo trimestre do ano, a economia também cresceu 0,6% em cadeia, tendo acelerado 1,9% em termos homólogos.

Na semana passada, a Comissão Europeia melhorou em três décimas a previsão de crescimento económico de Portugal para 2% este ano, uma décima acima do esperado pelo Governo (1,9%), mantendo a anterior previsão de 1,7% para 2020, três décimas abaixo da previsão do executivo português (2%).

Nas previsões económicas de outono, divulgadas em 07 de novembro, em Bruxelas, o executivo comunitário referiu que "o crescimento económico superou as expectativas no primeiro semestre de 2019, apesar do fraco ambiente externo", frisando que o PIB cresceu 0,6% nos dois primeiros trimestres do ano, "determinando uma perspetiva mais favorável para o ano inteiro".

Para este ano, o Fundo Monetário Internacional tem a mesma estimativa do Governo para a expansão do PIB, de 1,9%, assim como o Conselho das Finanças Públicas.

Já o Banco de Portugal antecipa uma expansão de 2% este ano, tal como a Comissão Europeia.

ECR // CSJ

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