Exposição "Alto Nível Baixo" revisita produção audiovisual brasileira contra ditadura

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Porto Canal com Lusa

Lisboa, 06 nov 2019 (Lusa) - A produção audiovisual brasileira no período da ditadura vai ser revisitada, a partir de quinta-feira, na exposição "Alto Nível Baixo", que é inaugurada em Lisboa, e inclui desenhos de guerra do artista português Manoel Barbosa.

A mostra, que ficará patente até 11 de janeiro de 2020 na Galeria Zé Dos Bois, com curadoria de Marta Mestre e Natxo Checa, aproxima as duas produções artísticas, no ponto em comum da contra-cultura e contestação através da arte.

Por um lado, será apresentada uma seleção de filmes e audiovisuais de artistas e cineastas brasileiros realizados durante o Ato Institucional-5 (1968-1978), um decreto emitido pela ditadura militar no Brasil que restringiu severamente as liberdades individuais e coletivas.

Estas produções audiovisuais da época são descritas pela curadoria como "experimentais, marginais, contestatárias, contra-culturais, poéticas, delirantes, absurdas, escatológicas", entre vários outros adjetivos.

Todas revelam "a dicotomia de uma época, entre euforia e tortura, ao mesmo tempo que exploram a diversidade de linguagens fílmicas e movimentos artísticos brasileiros deste período", nomeadamente designado como "cinema marginal", "udigrúdi", "superoitismo", "filme de arte", "filme experimental", entre outros, recordam.

Estão nesta mostra representados artistas e realizadores como Álvaro de Sá, Ana Maria Maiolino, Ana Bella Geiger, António Dias, António Manuel, Carlos Vergara, Carlos Zílio, Cláudio Tozzi, Daniel Santiago, Egdard Navarro, Flávio Diniz, Frederico Marcos, Frederico Morais, Jorge Izar, Jormard Muniz Brito, José Agrippino de Paula, Luiz Alphonsus, Marcelo Nitsche, Neide Sá, Nelson Leirner, Neville d'Almeida, Norma Bahia Pontes & Rita Moreira, Raymundo Amado, Rubens Gerchman, Sonia Andrade e Victor Gehrard.

Na série de "Desenhos de Guerra", do artista português Manoel Barbosa, nascido em 1953, surgem trabalhados realizados entre 1973 e 1975, no perigoso quartel de Zemba, em Angola, descrito por alguns soldados como "um autêntico campo de concentração", e durante a guerrilha urbana em Luanda.

Os "Desenhos de Guerra" de Manoel Barbosa são, segundo os curadores, "uma expressão radical e crua da relação entre contra-cultura e guerra colonial".

São desenhos esquemáticos de "máquinas de guerra", "à margem" ou "desviantes" do trabalho mais conhecido do artista, na área da 'performance'.

A exposição "Alto Nível Baixo" - cujo título é emprestado do filme homónimo de Jomard Muniz de Britto, de 1977 - conta com o apoio da Cinemateca Pernambucana e do Instituto Rubens Gerchma, do Brasil.

AG // MAG

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