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Sindicato constata "falta de condições" no Serviço de Farmácia do Hospital de Gaia

| Norte
Porto Canal com Lusa

O presidente do Sindicato Nacional dos Farmacêuticos constatou esta quarta-feira “a falta de condições e de recursos humanos” dos Serviços Farmacêuticos do Hospital de Gaia, tendo, contudo, recebido da administração a informação de que em 2020 a situação será melhorada.

Atualizado 01-08-2019 11:25

“A perspetiva que nos deram foi de alguma alteração já para 2020. O que podemos verificar foi que houve agora em abril uma alteração relativamente à farmácia de ambulatório, que tem novas instalações, mas todo o resto dos serviços farmacêuticos necessita de ser alterado”, disse Henrique Reguengo.

Henrique Reguengo, que falava aos jornalistas no final de uma reunião com a administração do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho (CHVNGE), seguida de visita às instalações, que os jornalistas não puderam acompanhar, salientou que “a perspetiva é que em 2020, com a finalização de umas obras que libertarão a área da Urgência, os serviços farmacêuticos transitem do sítio onde estão para essas novas instalações”.

Em junho, a diretora do serviço farmacêutico desta unidade hospitalar apresentou a demissão por falta de condições de trabalho e falta de pessoal, com “enorme potencial de ocorrência de acidentes graves” que podem afetar os doentes.

Numa carta enviada ao diretor clínico e à administração do Centro Hospitalar, a farmacêutica Aida Batista pediu a sua substituição imediata enquanto diretora do serviço farmacêutico de Vila Nova de Gaia/Espinho, avisando para a falta de “condições basilares” para exercer o cargo, que chegaram a tomar “proporções assustadoras”.

O Conselho de Administração do CHVNGE aceitou a demissão de Aida Batista, tendo sido nomeada no mesmo dia para a direção do serviço farmacêutico a especialista Amélia Marques.

Na ocasião o Conselho de Administração reconheceu “alguns constrangimentos”, mas garantiu que o serviço é assegurado e “não coloca em causa o bem-estar” dos utentes ou a prestação de serviços assistenciais, acrescentou.

Na visita que hoje realizou, o dirigente do Sindicato Nacional de Farmácia constatou que “há efetivamente muito a fazer, muito a mudar”.

“Não compreendo como é que houve uma inspeção do Infarmed há cerca de quatro anos em que foram identificadas anomalias graves, e durante estes quatro anos não houve qualquer reinspeção ou qualquer reavaliação por parte do Infarmed para ver se efetivamente as condições tinham mudado”, considerou.

E acrescentou: “Não são uns serviços farmacêuticos, são um armazém onde as pessoas se movimentam por entre caixas para tentar desempenhar as suas funções. Não há efetivamente condições para que as pessoas que têm de trabalhar em equipa nos serviços farmacêuticos possam desempenhar as suas funções de um modo competente”.

Questionado sobre se a segurança dos doentes estará em causa, o dirigente sindical referiu que, “enquanto as pessoas que trabalham nos serviços farmacêuticos fizerem milagres, isso não acontecerá”. Só que, considerou, “os milagres não acontecem 365 dias por ano, podem acontecer 364 e, nessa altura, toda a gente irá ignorar os 364 dias e lembrar o dia 365 em que efetivamente algo falhou”.

“É isso que é preciso acautelar, não há hoje em dia razões para que haja serviços farmacêuticos neste país a trabalhar nestas condições”, frisou.

Henrique Reguengo disse ainda que Gaia é “um caso extremo, porque além da carência de recursos humanos, as condições físicas são efetivamente gravosas”, mas sublinhou que “este é um problema nacional” uma vez que existe “uma extrema carência de pessoas nos serviços farmacêuticos de todo o país”.

Considerou, por isso, fundamental que haja formação de especialistas.

“Há um diploma do Governo que está negociado desde março, acabou agora, no dia 20, o prazo de discussão pública, e que é essencial que seja publicado ainda antes do fim desta legislatura. Trata-se do diploma de residência farmacêutica que legisla o modo como os farmacêuticos vão fazer a sua formação de especialidade para depois poderem ser contratados”, acrescentou.

Afirmou que, “neste momento, não há especialistas na área da farmácia hospitalar se os hospitais quiserem contratar”.

“É necessário dar seguimento urgente ao diploma da residência farmacêutica para que ainda em 2020 possamos ter nas instituições farmacêuticos a fazer a sua formação para depois poderem normalmente ser incorporados nas instituições que deles necessitam”, disse.

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