Rosário e procissão das velas entre o recolhimento no recinto e confusão no exterior
Porto Canal com Lusa
A recitação do rosário e a procissão das velas decorreram na sexta-feira à noite entre o clima de recolhimento no interior do santuário de Fátima e alguma confusão e entusiasmo dos que no exterior ansiavam ver o papa.
Francisco chegou ao recinto cerca das 20:00 no papamóvel perante aplausos e gritos de emoção: "Francisco, Francisco!", gritou Manuela Paiva, residente da Madeira, natural de Moimenta da Beira, de onde partiu a pé rumo a Fátima.
Duzentos e quarenta quilómetros depois, Manuela só queria ver Francisco um pouco mais de perto.
"Foi tão pouquinho, passou tão depressa por nós. Ele é mesmo simpático. Dá-nos mais fé e esperança", contou à Lusa.
Ao ver num ecrã gigante Francisco já a pé e a cumprimentar peregrinos, Manuela comove-se: "Meu querido papa. É tão simples".
Numa das entradas laterais do Santuário, junto à Casa de Nossa Senhora do Carmo, Dalva Fonte, aguardava, segura de que Francisco passaria por ali "no retorno" da recitação do rosário, quando se recolheu.
Dalva já viu Francisco no Rio de Janeiro, nas Jornadas Mundiais de Juventude, em 2013, tal como já havia visto João Paulo II "quando ordenou 70 padres no Maracanã" e coloca num plano ainda mais elevado o argentino.
"É muito humilde, está junto das pessoas, dos pobres. O João Paulo II também estava, mas este ainda está mais", disse de sorriso rasgado a carioca que já tinha planeado a viagem antes de saber que o papa iria estar presente no Centenário das "Aparições".
A vontade de muitos peregrinos estarem no coração do santuário tornou quase intransponíveis algumas entradas laterais, dificultando até a movimentação de forças da Proteção Civil.
No interior do recinto, a confusão cedia a um clima de recolhimento, com as pessoas a empunharem as tradicionais velas, em silêncio, entrecortado pelas respostas às orações dadas em português independentemente das diversas línguas em que eram recitadas.
Às 22:24 são anunciados a saída do papa do recinto e o início da procissão das velas, com a imagem de Nossa Senhora a atravessar o santuário a ser colocada no altar-mor, onde no sábado Francisco celebrará a eucaristia.
Nesse altar, foi de seguida celebrada missa presidida por Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano.
No início da eucaristia, já muitas pessoas tinham começado a dispersar, deixando ver um chão de camas para quem se preparava para permanecer no local durante toda a noite.
"É para marcar lugar. Vamos dormir muito bem. Estivemos nas Jornadas Mundiais da Juventude e foi igual. Não pensamos sair daqui, só se for para ocupar um lugar à frente quando mais gente sair do santuário", contou à Lusa Andreia Rosário, que veio a Fátima integrada no movimento "Eu Acredito", da Diocese de Lisboa.
"O nosso interesse, mais do que ver o papa, é podermos participar na eucaristia, mas é sempre entusiasmante ver o papa", concluiu.
