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Pinto da Costa lamenta perda de “um grande Dragão”

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Porto Canal com fcporto.pt

Manoel de Oliveira, que era o mais velho realizador do mundo em actividade e uma das maiores referências do cinema mundial, faleceu esta quinta-feira, aos 106 anos. O presidente do FC Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa, já reagiu à morte do cineasta português, portuense e portista e enviou as mais sentidas condolências à família. O Governo decretou dois dias de luto nacional e o funeral realiza-se esta sexta-feira, às 15h00, no Cemitério de Agramonte, no Porto.

“Lamento a perda de um amigo, de um grande cidadão, de um pioneiro do cinema, de um grande Dragão, de um português de referência. Acho que todo o país se deve curvar perante a memória deste grande homem que foi Manoel de Oliveira”, sublinhou o presidente portista, que, em Fevereiro de 2009, na gala dos Dragões de Ouro relativos à época 2007/08 (na foto), entregou a Manoel de Oliveira o galardão de Dragão de Honra, a mais alta distinção dos prémios anualmente atribuídos no universo do FC Porto.

"Não é especial, é especialíssimo. É um prémio do FC Porto, entregue na minha cidade. Nasci e vivo no Porto", disse, na altura, Manoel de Oliveira, que juntou o galardão a muitos outros, como a Palma de Ouro de Cannes e dois Leões de Ouro de Veneza, entre mais de cem prémios recebidos em todo o mundo. Aliás, o autor de Aniki-Bobó era o cineasta português mais premiado de sempre, tendo visto muitos dos seus filmes receberem distinções de festivais internacionais, de Tóquio a Munique, passando por Lucarno e Berlim. No ano passado, foi condecorado pelo Presidente da República francês, François Hollande, com as insígnias de Grande Oficial da Legião de Honra.

Em declarações posteriores ao Porto Canal, na Madeira, o presidente defendeu a transladação do seu corpo para o Panteão Nacional: "Será da mais elementar justiça e a forma de compensarmos o seu desaparecimento fisíco. Para nós no FC Porto, e creio que no país, ele será imortal. Está imortalizado no nosso Museu com uma declaração filmada, que é diariamente colocada no ecrã, com o cachecol do FC Porto, a assumir-se como portista de coração e em que afirma que quando o FC Porto ganha, ganha a nação".

Com um currículo de 47 filmes em 90 anos de carreira, Manoel de Oliveira era o único dos realizadores no activo cuja carreira começou ainda no cinema mudo, com Douro, Faina Fluvial (1931), e chegou à atualidade com O Gebo e a Sombra (2012). Nasceu a 11 de Dezembro de 1908, na freguesia portuense de Cedofeita (a mesma de onde é natural Pinto da Costa), quando D. Manuel II era rei de Portugal, 13 anos após o nascimento do cinema. Criado no seio de uma família da burguesia industrial do Porto, estudou na Galiza e foi atleta do Sport Club do Porto até ingressar numa escola de actores na cidade Invicta.

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