Câmara de Penacova preserva monumento natural da Livraria do Mondego

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Porto Canal / Agências

Penacova, 18 18 nov (Lusa) -- A Câmara de Penacova anunciou hoje que vai investir quase 47 mil euros num projeto de valorização da Livraria do Mondego, um monumento geológico que se assemelha a uma estante com livros na posição vertical.

Parcialmente destruída com a construção do IP3, nos anos 90 do século passado, a Livraria, situada no sítio de Entre Penedos, assinala o local onde o Mondego, até aí um rio de montanha com caudais fortes, se espraia numa paisagem mais aberta em direção a Coimbra e ao mar.

Em comunicado, a Câmara Municipal, liderada pelo socialista Humberto Oliveira, revela que celebrou, na terça-feira, com a empresa Ramos Catarino Dois Arquitetura de Interiores e Construção, o auto de consignação da obra de preservação do património natural da Livraria do Mondego.

Com o valor de 46.473,14 euros, este projeto, financiado com fundos comunitários do programa Leader ADELO, "vai permitir preservar, valorizar, dinamizar e promover o território e, nomeadamente, aquele núcleo geológico", construindo "as acessibilidades a pontos fulcrais que permitam devolver este espaço de excelência natural" às populações.

"Mais uma iniciativa que visa promover o turismo e o tecido económico de Penacova e da região, devolvendo às pessoas este local sublime de interesse nacional e que Penacova tem para mostrar", afirma Humberto Oliveira, citado na nota da autarquia.

Natural do concelho, o historiador de arte Nelson Correia Borges apoia "qualquer iniciativa para valorizar" o que resta da Livraria do Mondego, que "era um ponto forte da paisagem de Penacova".

"O mal está feito. Foi um crime contra a natureza e a paisagem", disse à agência Lusa o ex-professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, considerando que "foi um disparate terem construído" a ponte do IP3, sobre o Mondego, naquele local, destruindo uma parte do geomonumento.

"Na altura, fui a única pessoa que protestou", recordou Nelson Correia Borges, que há cerca de 25 anos publicou um artigo no Diário de Coimbra a criticar a decisão.

A Estradas de Portugal recomenda a visita à Livraria do Mondego, um "monumento natural esculpido pelo tempo" ao longo de 400 milhões de anos e "constituído de altas assentadas de quartzitos silúricos que constituem uma magnífica paisagem".

No seu portal, a empresa pública realça que o sítio geológico tem "acesso direto e privilegiado a partir da EN 110", sendo ainda "bem visível para quem circula no IP3 na zona da ponte sobre o rio Mondego".

"Este espaço natural vai ficar dotado de miradouros, percursos de visita devidamente sinalizados, guardas de segurança e pontos de descanso, parque de estacionamento para 23 veículos e ainda dois minicais para ancoragem da barca serrana, permitindo que os visitantes tenham uma panorâmica única da Livraria do Mondego a partir do rio", salienta a Câmara de Penacova.

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