E se o Grande Porto fosse afetado por uma tempestade? “A água não pode falhar a dois milhões de pessoas”

| Norte
João Pereira

A Águas do Douro e Paiva instalou uma rede de telefone com fibra ótica própria em 54 pontos perante “acontecimentos cada vez mais imprevistos e cada vez mais excecionais”. 

Em entrevista ao Porto Canal, o presidente da AdDP admite que quando os outros falharem, a empresa não pode falhar. “Nós temos muitos desafios já nos últimos anos, de facto a memória é relativamente curta. Nos últimos anos, se fizermos esse exercício de memória, tivemos crises pandémicas, tivemos crises energéticas, tivemos crises inflacionárias, tivemos o apagão”, recorda António Borges.

As recentes falhas no fornecimento de energia, abastecimento de água e funcionamento da rede de telecomunicações registadas em várias zonas do país, devido à passagem da depressão Kristin, deixaram a nu algumas das vulnerabilidades das infraestruturas críticas. Nesse contexto, mas olhando também para outros exemplos como o apagão do ano passado, a Águas do Douro e Paiva tem-se vindo a adaptar aos novos desafios. Para isso, a empresa criou uma rede de comunicações totalmente autónoma, suportada por cerca de 485 quilómetros de rede de fibra ótica própria, bem como pelas infraestruturas de telecomunicações e de um datacenter, garantindo assim independência em relação às operadoras.

“Felizmente, na região onde a Águas do Douro e Paiva opera, não há o mesmo tipo de problemas que há na região Centro, mas verdadeiramente o que temos é de estar preparados para estes fenómenos que são cada vez mais recorrentes e cada vez mais intensos”, lembra o presidente da empresa de distribuição de água.

“Estamos a fazer o caminho para tornar a a AdDP mais resiliente e mais preparada”, garante António Borges. Sobre o sistema de comunicações em si, o presidente da empresa garante que é possível construir uma rede própria de comunicações quando falharem as operadoras ou “mesmo até o SIRESP”.

“Nós temos condições para comunicar entre as nossas 200 instalações que existem na região e que garantem o abastecimento de água às nossas populações e podemos até escalar esses pontos de comunicações para a possibilidade de integrarmos os próprios municípios numa rede de comunicação da região”, diz António Borges.

“Mesmo sem internet no país, com ligação a satélite, podemos continuar a operar”, assegura a empresa.

Quanto à área da energia, a empresa está também a trabalhar na instalação de baterias solares que vão permitir assegurar as comunicações em caso de falha energética nos mais de 50 pontos que permitem a comunicação do sistema de abastecimento de água.

A AdDP distribui água em alta a 22 municípios do Grande Porto, incluindo Matosinhos, Gaia e Gondomar, mas também Baião ou Cinfães, o que representa cerca de dois milhões de consumidores.

"Caudal mínimo crítico" em situação de emergência

"Estamos a estudar um plano reforço de energia em situação de crise, nomeadamente a instalação de geradores, em que podemos garantir permanentemente um caudal mínimo crítico para que a região continue a ter vida e continue a ter atividade económica e para que as instalações críticas como hospitais e outras instalações do género possam ter sempre água para poderem funcionar", explica António Borges nesta entrevista ao Porto Canal.

Inteligência artificial no Vale do Sousa

António Borges revelou ainda que "a zona do Vale do Sousa já opera com recurso a inteligência artificial". "O nosso White Water é um instrumento de grande otimização e de grande eficiência", explica.

O presidente da Águas do Douro e Paiva assinalou ainda que a telegestão 100% virtual da empresa já permite também ter dados em tempo real sobre cerca de 47 mil variáveis, desde níveis de reservatórios à pressão da água num determinado local.

 

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