Eduardo Vítor Rodrigues diz que Operação Babel manchou autarquia, mas sobretudo justiça

Eduardo Vítor Rodrigues diz que Operação Babel manchou autarquia, mas sobretudo justiça
| Norte
Porto Canal/Agências

O presidente da Câmara de Gaia, que abandona o cargo a 30 de junho, assumiu esta segunda-feira que o processo Babel, que levou à detenção do ex-vice-presidente Patrocínio Azevedo, manchou o projeto autárquico, mas manchou, sobretudo, a justiça.

“O assunto [processo Babel] manchou a câmara, manchou o projeto autárquico, manchou o presidente, manchou os vereadores, destruiu-o a ele [Patrocínio Azevedo], mas manchou, sobretudo, a justiça”, considerou Eduardo Vítor Rodrigues no final da reunião extraordinária do executivo municipal que aprovou, com dois votos contra do PSD, o relatório de gestão e demonstrações financeiras consolidadas de 2024.

A Operação Babel, relacionada com a alegada viciação e violação de normas e instrução de processos de licenciamento urbanísticos em Gaia, tem 16 arguidos, incluindo Patrocínio Azevedo que, à data do processo, era vice-presidente de Câmara de Vila Nova de Gaia e que, nesta sequência, renunciou ao mandato.

Patrocínio Azevedo, que esteve cerca de 23 meses em prisão preventiva, foi libertado em abril, ficando sujeito a apresentações periódicas às autoridades três vezes por semana e proibido de contactar com os restantes arguidos.

Eduardo Vítor Rodrigues referiu que este processo manchou a justiça porque o ex-vice-presidente da câmara esteve 23 meses preso por, alegadamente, ter recebido uma mochila com 100 mil euros que, a meio do julgamento, se percebeu que não recebeu nada.

“Depois é mandado para casa e não se passa nada, por isso, é uma mancha no trajeto deste processo e acho que temos todos que sentir uma pequenina mancha na nossa estrutura institucional e no nosso sistema de poder”, atirou.

E, a propósito de justiça, Eduardo Vítor Rodrigues, que foi condenado a perda de mandato por peculato de uso, disse que atualmente o país trata por igual quem rouba 10 ou 20 milhões de euros e quem vai à padaria com o carro da câmara.

“Eu tenho a sensação de que a minha saída serve, em primeiro lugar, para dizer à Associação Nacional de Municípios Portugueses e para dizer ao Governo que importa legislar porque um país em que a justiça se deixa manipular por denúncias anónimas e por jogadas de bastidores não é um presidente de câmara que está em jogo, é uma democracia toda”, sublinhou.

Em sua opinião, é preciso refletir sobre isto porque um dia estará à frente destas instituições quem não se importe que lhe chame ladrão porque, se calhar, até o é e, portanto, não tem vergonha nenhuma.

“Eu tenho vergonha de participar num processo em que a degradação das instituições é evidente”, frisou.

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