Frente "completamente incontrolável" progride em Vila Pouca de Aguiar com meios insuficientes para combate

Frente "completamente incontrolável" progride em Vila Pouca de Aguiar com meios insuficientes para combate
| Norte
Porto Canal / Agências

O incêndio em Sabroso de Aguiar, Vila Pouca de Aguiar, está a avançar “completamente incontrolável” numa zona de pinhal, com meios insuficientes para o combate, disse o comandante dos bombeiros.

“Temos uma reativação forte em Sabroso, uma frente completamente incontrolável e não temos meios disponíveis para reforçar. O único meio de reforço que veio esta quarta-feira dos bombeiros foram duas viaturas isoladas”, afirmou à agência Lusa Hugo Silva.

O comandante referiu que o incêndio progride em direção a norte.

“E se isto evoluir assim até ao fim do dia vamos ter o incêndio à porta de Vidago (Chaves)”, referiu ainda o responsável.

Hugo Silva reforçou que esta frente está a causar muita preocupação porque não há meios de combate.

“Nem sequer para substituir os que já andam aqui em trabalho há vários dias, nem para reforçar isto”, frisou.

Ao início da tarde ainda atuaram nesta zona dois aviões, mas já não se encontram neste teatro de operações.

Para além da frente em Sabroso de Aguiar, o comandante apontou também preocupações nas frentes que se desenvolvem na zona de Soutelinho do Mezio e na Samardã.

Hugo Silva referiu que, em Vila Pouca de Aguiar, estão a operar cerca de 130 operacionais.

De Vila Pouca de Aguiar as chamas galgaram para o concelho de Vila Real, por Covelo e Samardã, onde estão esta quarta-feira a atuar cerca de 100 operacionais.

O alerta para o primeiro incêndio em Vila Pouca de Aguiar foi dado pelas 07h30 de segunda-feira e a situação foi-se agravando ao longo do dia, com as chamas a manterem-se ativas até esta quarta-feira.

A presidente da Câmara de Vila Pouca de Aguiar, Ana Rita Dias, já disse que em apenas três das 14 freguesias do concelho não houve alerta de incêndio desde segunda-feira, antevendo prejuízos enormes na floresta e agricultura.

Sete pessoas morreram e cerca de 50 ficaram feridas nos incêndios que atingem desde domingo as regiões Norte e Centro do país, nos distritos de Aveiro, Porto, Vila Real, Braga e Viseu, e que destruíram dezenas de casas e obrigaram a cortar estradas e autoestradas.

A área ardida em Portugal continental desde domingo ultrapassa os 62 mil hectares, segundo o sistema europeu Copernicus, que mostra que nas regiões Norte e Centro, já arderam 47.376 hectares.

Segundo a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), esta quarta-feira pelas 11h00, estavam em curso 38 incêndios, dos quais 15 eram considerados ocorrências significativas que envolviam mais de 3.000 operacionais, apoiados por cerca de mil meios terrestres e 25 meios aéreos.

O Governo declarou situação de calamidade em todos os municípios afetados pelos incêndios nos últimos dias e alargou até quinta-feira a situação de alerta, face às previsões meteorológicas.

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