Após anos de abandono, Quinta de Salgueiros renasce em 2025 para ser um “parque-laboratório”
Ana Francisca Gomes
A Quinta de Salgueiros, no Porto, vai sofrer uma requalificação ecológica e paisagística no próximo ano. Em resposta ao Porto Canal, a autarquia informa que se encontra a elaborar um estudo prévio para devolver à cidade aquele espaço verde esquecido nas Antas. A Câmara do Porto não esclarece, no entanto, qual vai ser o uso futuro da casa senhorial inserida naquele espaço.
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Em Campanhã, a Quinta de Salgueiros anseia por uma transformação há mais de 20 anos, desde que se começaram a desenhar os primeiros traços do Plano de Pormenor das Antas. No projeto urbanístico que queria construir uma nova centralidade fora da baixa da cidade, à boleia da construção do novo Estádio do Dragão, estava prevista a construção do “Parque Urbano das Antas” neste preciso local. Mas em 2017 o presidente da autarquia, Rui Moreira, afirmava em reunião de Assembleia que lá seria instalado um ‘biolab’, justificando que o ruído das vias circundantes impedia que ali fosse criado “um parque para fruição”.
São 6,36 hectares de espaço verde até agora desaproveitados junto ao antigo estádio das Antas que se vão transformar num “parque-laboratório”. Em exclusivo ao Porto Canal o município esclarece que o espaço vai ser aberto ao público e que o projeto “prevê a sua requalificação ecológica e paisagística”. Estão incluídos “bosques de carvalho e sobreiro, restauro de linhas de água, e outras infraestruturas naturais”.
Na Quinta de Salgueiros vão ser desenvolvidos ensaios que poderão ser replicados noutros locais da cidade ou noutras paisagens semelhantes na Europa.

Planta de verdes do Plano de Pormenor das Antas
Um projeto contemplado no orçamento de 2024
No Orçamento da Câmara do Porto para 2024 já está contemplado um valor de 50 mil euros para o projeto avançar ainda este ano como um ‘Biolab’. Este é um projeto que tem reservado para o ano seguinte um valor de 900 mil euros, valor esse que sobe para quatro milhões em 2026 e para 850 mil euros em 2027.
Mas já não é este ano que a quinta começa a ser intervencionada. De momento, a autarquia estará até ao mês de outubro a elaborar um estudo prévio ao qual se seguirá a contratação da equipa projetista. “O concurso de empreitada será lançado no início de 2025 e estão a ser feitos esforços para que o início das obras possa acontecer durante o primeiro semestre de 2025”, esclarece.
Neste mesmo projeto está prevista ainda a construção de uma pequena área de estacionamento. “No entanto, dada a proximidade do espaço a áreas residenciais e a duas estações de metro (a menos de 300 metros), o objetivo é evitar atrair o uso do veículo individual para usufruto do espaço”.
Futuro da casa senhorial em aberto
Este é um espaço que tem sido pontualmente intervencionado pelo município. Há dois anos, a Câmara do Porto vedou o espaço, após receber várias queixas de moradores nas redondezas que alertavam para o uso da infraestrutura por toxicodepentes e para prostituição.
Já em julho de 2023 a empresa municipal Go Porto levou a cabo uma empreitada onde para além da manutenção de algum do espaço verde, foram recuperadas as ruínas da casa senhorial e da capela presentes na quinta, assim como dos muros que delimitam o espaço.

A casa é uma construção do século XVIII
Questionada pelo Porto Canal, a autarquia liderada por Rui Moreira deixa em aberto o destino que será dado à estrutura da casa. “A consolidação da casa e muros foi feita para acautelar a segurança de pessoas e não colocar em causa futuros usos”.
Luís Alves de Sousa foi um dos últimos proprietários que viveu na quinta e confessa ao Porto Canal ter “pena” que o terreno ainda não esteja aberto ao público.
Numa conversa que se desenrolou antes da autarquia revelar a sua intenção de transformar a quinta num “parque-laboratório”, Luís relembra que este é um local que se encontra numa zona da cidade com “cada vez menos espaços verdes”, apenas com o Parque de São Roque a poucos metros.
