"Governo cometeu vários erros, pôs-se a jeito", realça Ferro Rodrigues

"Governo cometeu vários erros, pôs-se a jeito", realça Ferro Rodrigues
| Política
Porto Canal / Agências

O ex-presidente da Assembleia da Republica (AR), Eduardo Ferro Rodrigues, manifestou-se esta sexta-feira preocupado com a evolução da situação política de Portugal e com os perigos que a democracia enfrenta e reconheceu que o Governo “cometeu vários erros”.

Num artigo de opinião divulgado hoje no jornal Público, Ferro Rodrigues critica o ex-Presidente da Republica, Cavaco Silva, deputados e Governo, destacando também que o primeiro-ministro e o Presidente da República estiveram de acordo sobre dissolução da AR em 2021.

“Infelizmente, o que se passou entre 2015 e 2019 em condições inovadoras e exigentes de governabilidade começou a romper-se depois, impondo uma dissolução em 2021 em que Presidente da República e primeiro-ministro estiveram de acordo, como fui testemunha privilegiada. Não havia qualquer outra saída depois da rejeição do Orçamento para 2022”, refere.

No artigo, o antigo secretário-geral do PS lembra que depois da inesperada maioria absoluta do PS, em janeiro de 2022, o relacionamento institucional foi-se degradando.

“Depois da unidade institucional em tempos de desafio político, de incêndios terríveis e de pandemia, agora, no novo quadro parlamentar e com estas ameaças não previstas, tal não foi possível”, disse.

No entendimento de Eduardo Ferro Rodrigues, “o Governo cometeu vários erros, pôs-se a jeito, como afirmou o primeiro-ministro”, sublinhando que a “magistratura da influência entrou em séria crise com a sucessão de teimosias, a substituição das conversas francas e frontais por recados através de jornalistas e comentadores”.

“Poderíamos escrever sobre se António Costa deveria ter aceitado a demissão de João Galamba naquele 02 de maio. Não o farei, porque a situação nunca deveria ter chegado àquele ponto e porque estou convicto de que, se a demissão tivesse sido concretizada, nada do essencial do que se passou depois deixaria de se passar”, disse, referindo-se a “maratonas trágicas da comissão de inquérito" e "às palavras de um ex-presidente da República em busca de fazer as pazes com o seu eleitorado, à custa da demonstração de níveis de despeito e rancor políticos difíceis de aceitar”.

No artigo, Ferro Rodrigues pede a António Costa que leve até ao fim” o serviço que tem feito a Portugal” e conclua "este ciclo que terá impacto sensível nas pessoas, nas famílias e nas empresas”

Pede igualmente que “não hesite em substituir quem for necessário no Governo para que o país continue a avançar. No momento oportuno, mas em tempo útil, doa a quem doer”.

Ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o ex-presidente da AR pede que “não deixe que o seu hemisfério o determine e que se instale no país a ideia de que a dissolução de um Parlamento com maioria absoluta de um só partido será o novo normal”.

Para Ferro Rodrigues, o “caminho da banalização deste último recurso presidencial constitui um precedente muito perigoso, até mesmo aventureiro"

"Era o que faltava abrir-se uma crise política com dissolução do Parlamento e eleições antecipadas neste contexto em que, de um lado, estão impasses de governação e decisão que podem e devem ser superados, e, do outro, o regresso das ameaças e falsidades de quem considera que vale tudo em democracia”, sublinhou.

Ferro Rodrigues considera também que eleições antecipadas significariam “uma explosão da abstenção e o inerente crescimento da extrema-direita”.

“Era só o que faltava assinalar os 50 anos do 25 de Abril com o Poder influenciado por quem sempre desprezou ou diminuiu esse dia. É imperioso e urgente reconstituir a confiança interinstitucional”, disse.

De acordo com Ferro Rodrigues, Portugal e os portugueses merecem que as vozes do passado não voltem a ter poder.

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