Sindicato acusa TAP de “pagar para ver” efeitos da greve

Sindicato acusa TAP de “pagar para ver” efeitos da greve
| País
Porto Canal / Agências

O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) acusou esta terça-feira a TAP de preferir “pagar para ver” os efeitos da greve de quinta e sexta-feira, em vez de repor os cortes aos tripulantes.

Na moção votada na assembleia-geral de associados, o SNPVAC considera que “a TAP preferiu ‘pagar para ver’ os efeitos da greve, ao invés de repor aos tripulantes aquilo que unilateralmente lhes retirou”.

O sindicato considerou ainda que “a administração da TAP optou por rejeitar a prossecução da paz social, preferindo denegrir reiteradamente os tripulantes de cabine através de comunicações internas e externas”.

Estes argumentos fazem parte da lista apresentada pelo SNPVAC para que os associados tenham decidido pela “manutenção da greve para os dias 08 e 09 de dezembro”, bem como aprovado a “marcação de um mínimo de cinco dias de greve a realizar até dia 31 de janeiro”.

As datas serão “definidas pela direção [do sindicato] e comunicadas aos associados 24 horas antes da entrada do pré-aviso de greve”.

A TAP e os sindicatos encontram-se em negociações para a revisão do Acordo de Empresa (AE), no âmbito do plano de reestruturação.

Descontentes, os tripulantes da TAP, em assembleia-geral de emergência do SNPVAC, em 03 de novembro, decidiram avançar com uma greve nos dias 08 e 09 de dezembro, bem como “recusar liminarmente a proposta de novo acordo de empresa (AE)” apresentada pela companhia aérea, que consideram “absolutamente inaceitável e manifestamente redutora”.

O sindicato afirmou, em 21 de novembro, que a TAP tinha apresentado uma proposta aos tripulantes de cabine, mas que não tinha condições para a analisar no prazo estabelecido pela companhia aérea.

Num comunicado enviado aos associados, a que a Lusa teve acesso, a direção do SNPVAC adiantou que esteve, nos dias 15 e 16 de novembro, “reunida com a administração da empresa, com o intuito de solucionar o diferendo existente entre os tripulantes e a TAP”.

Segundo a mesma nota, “após dois dias intensos de reuniões – onde de forma construtiva ambas as partes procuraram soluções para sanar o diferendo – a TAP formalizou uma proposta no dia 18 de novembro”.

“Apesar de ser uma proposta que considerámos de imediato insuficiente – já que a empresa não abdica de certas posições –, seria nossa intenção levá-la à consideração dos associados na AG [assembleia-geral] de dia 06 de dezembro”, referiu o SNPVAC, indicando que, no entanto, “juntamente com a formalização da mesma, veio um ultimato ao SNPVAC de que, ou existia uma antecipação à auscultação dos seus associados até dia 22 de novembro [terça-feira], ou então não faria sentido a proposta negociada ser formalizada”.

A companhia aérea decidiu cancelar 360 voos nos dias da greve, afetando cerca de 50.000 passageiros e uma perda de oito milhões de euros em receitas, depois de já ter informado os clientes de que permitia a alteração das datas dos voos marcados para os dias de greve, sem qualquer penalização.

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