Bombeiros alertam para falta de profissionais daqui a quatro anos

Bombeiros alertam para falta de profissionais daqui a quatro anos
| País
Joana Almeida Carvalho

Os bombeiros queixam-se da falta de dinheiro e apoios por parte do Estado. O Presidente da direção dos Bombeiros Matosinhos-Leça diz que daqui a poucos anos “não vão existir” profissionais suficientes para o serviço.

O cenário sombrio foi traçado primeiramente pelo Presidente da Liga dos Bombeiros, António Nunes. Ao jornal Expresso, garantiu que falta dinheiro, equipamentos e estratégia, criticando o alheamento do poder político.

De acordo com o dirigente, o maior problema centra-se com “o subfinanciamento das associações de bombeiros, que está a colocar em causa a estabilidade das corporações”.

Uma opinião partilhada pelo Presidente da direção dos Bombeiros Matosinhos- Leça. Joaquim Silva explica que a Lei de Financiamento “cria alguns engulhos”, uma vez que tem alguns itens que “não se ajustam à realidade geográfica de cada corporação”. Ou seja, de acordo com o profissional, esta corporação acaba por ser prejudicada por não ser uma zona florestal que, por norma, recebe mais investimento por parte do Estado.

“Os bombeiros do litoral têm muitas dificuldades, até ao nível das próprias viaturas. No nosso caso, temos viaturas cuja idade média anda à volta dos 37 anos e temos, inclusive, viaturas com 40 anos”, explica.

Outra dificuldade apontada por Joaquim Silva centra-se nos combustíveis, uma vez que os profissionais têm de pagar exatamente o mesmo valor que os civis, sem qualquer benefício: “Nós para fazermos socorro, estamos a pagar para fazermos o socorro” e acrescenta que “a verba que o Estado atribui mensalmente, de acordo com a Lei, são 6200 euros. Mas só para a Segurança Social pagamos mais de 10 mil euros por mês, e esse reembolso não existe”.

No próximo ano, os bombeiros vão ter ao seu dispor 31,7 milhões de euros, ou seja, um aumento de 6,7% no financiamento do Estado, mas este valor “continua insuficiente”, explica Joaquim Silva.

“Uma Associação normal, para manter tudo em funcionamento normal, e manter uma eficácia e eficiência no socorro que presta, tem de ter, por exemplo, as viaturas devidamente apetrechadas e em condições operacionais, tem de ter os respetivos seguros, e o pessoal devidamente equipado, com equipamentos atualizados. Portanto essa verba continua a ser insuficiente, porque nunca houve efetivamente um plano estratégico de investimento para as Associações e Corpos de Bombeiros Voluntários e as coisas degradaram-se a um ponto que, neste momento, só mesmo com um aumento substancial em termos de orçamento, poderemos recuperar aquilo que neste momento não temos”.

Já António Nunes, presidente da Liga de Bombeiros, disse ao Expresso que “se nada for feito, corremos o risco de, em 4 anos, não termos bombeiros”. Esta dificuldade no recrutamento já é sentida também nos bombeiros de Matosinhos-Leça que não têm elementos suficientes para constituir equipas necessárias. “Os salários rondam o salário mínimo, numa altura em que o custo de vida tem aumentado drasticamente, e ainda por cima as regalias sociais são ineficazes“, remata.

O jornal Expresso adianta que o Ministério da Administração Interna está a analisar o financiamento dos bombeiros através das autarquias, ou seja, as câmaras passariam a ser financiadas para conseguirem garantir a proteção de pessoas e bens, assim como para suportar todas as despesas das corporações. No entanto, esta é uma solução que levanta algumas dúvidas a Joaquim Silva.

Os bombeiros vão reunir-se em congresso, em março, onde vão discutir questões como o financiamento, comando e as operações.

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