Pedro Nuno Santos anuncia lançamento do projeto de extensão da linha do Douro até Barca D'Alva em 2023

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Porto Canal

Na apresentação do estudo para a reabertura da Linha do Douro entre Pocinho e Barca d’Alva, elaborada pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), esta segunda-feira, em Freixo de Espada a Cinta, o Ministro das Infraestruturas Pedro Nuno Santos anunciou a intenção do governo de arrancar com o concurso para a extensão da linha do Douro até Barca D'Alva durante o primeiro trimestre de 2023. Segundo as conclusões da análse custo-benefício do estudo da CCDRN, o investimento poderá criar 4700 postos de trabalho nos próximos 26 anos e é uma obra "importante para o dinamismo económico de todo o território do Douro".

A sessão desta segunda-feira contou com as presenças do ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos, da ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, do presidente da CCDR-Norte, António Cunha, e do presidente da Comunidade Intermunicipal do Douro, Carlos Silva Santiago, entre outros responsáveis. O encontro visou apresentar as principais conclusões deste estudo, na componente de reabilitação da infraestrutura ferroviária e na dimensão da viabilidade e impactos económicos da sua reativação.

E, tal como revelado em primeira mão pelo Porto Canal no domingo, para a instituição liderada por António Cunha, não restam dúvidas: a reabertura do troço da Linha do Douro tem que avançar, atendendo às vantagens adjacentes.

Sem comboios em circulação desde 1 de janeiro de 1989, o troço entre Pocinho e Barca d’Alva conta com 27,11 quilómetros de extensão e é considerado um investimento estutural para a região, beneficiando, diretamente, quatro municípios Figueira de Castelo Rodrigo, Vila Nova de Foz Côa, Torre de Moncorvo e Freixo de Espada à Cinta, mas com reflexos significativos em outros 17 concelhos, como Vila Real, Régua, Lamego, Tarouca, Alijó e Sabrosa, pode ler-se no documenoto.

E as vantagens ganham contornos ainda mairoes, quando traduzidas em números. Isto porque, o regresso da ferrovia a esta parte do país "é rentável do ponto de vista económico, com os benefícios a totalizarem 84,2 M€". Um valor "muito interessante" na visão de Luís Almeida, Presidente da Associação Vale D'ouro que, em entrevista ao Porto Canal, reconhece o valor da infraestrutura, numa região "que está em depressão profunda social e economicamente".

"A grande questão destes 84 milhões de euros, é que eles cobrem o investimento. E daí isto resultar numa taxa interna de rentabilidade, que é habitualmente utilizada para medir o iteresse dos investimentos, de 8,04%, mesmo com uma taxa de desconto de 3%, valores muito positivos".

Mesmo em cenário de estagnação ou de diminuição de 50% dos turistas, a taxa de rentabilidade económica nunca é inferior a 2,85%, dentro dos patamares aceitáveis a nível económico. Assim, a CCDR-Norte realça que “dada a rentabilidade económica do projeto, recomenda-se a execução“ da obra.

Neste sentido, o território aclama por este regresso da ferrovia, até porque "estima-se que a LPBA permitirá criar 4724 empregos na fileira do turismo durante o período de exploração do projeto (26 anos), correspondente a uma média de 181 por ano", lê-se no documento feito pela CCDR-Norte.

Luís Almeida considera que este cenário "é muito significativo num território onde moram 200 mil pessoas e onde não existem muitas opções de emprego. É um investimento que é, por demais, óbvio e só não percebemos porque é que está a demorar tanto tempo a ser executado, dada a evidência que este estudo veio comprovar", reforçou.

Outro detalhe a ter em conta é que a análise em causa "não conta com a influência nem do Porto, nem de Salamanca, nem de Madrid, que são zonas que vão fornecer e criar procura à Linha do Douro e que o estudo não considera".

O regresso do comboio há muito aguardado por estas populações permitirá ainda poupar mais de meia-hora na viagem entre as duas localidades, passando de 50 para apenas 19 minutos.

Turismo é a face mais visível dos benefícios

A vertente turística é a principal justificação económica para a reabertura da linha, aliado à preocupante e sucessiva perda de população na região. Isto porque a população residente entre Pocinho e Barca d’Alva caiu 1,9% por ano na última década.

Contudo, os efeitos económicos "atingem outros setores e produtos, como os transportes, os serviços recreativos e culturais e a aquisição de vários produtos conexos", especifica o documento a que o Porto Canal teve acesso, beneficiando concelhos que não têm apeadeiros nem estações no troço em questão, "mas que se encontram a uma distância máxima de 90 minutos (em viatura individual) do Pocinho".

“Ao contribuir para a criação de emprego, o projeto está a dar um contributo para inverter o abandono do território com externalidades positivas importantes, como a preservação da natureza e limpeza das florestas“, destaca a análise. A Linha do Douro atravessa paisagem cultural considerada Património Mundial pela Unesco desde 2001.

Obra refém de eletrificação da Linha do Norte?

A reabertura do troço acontecerá apenas quando a Linha do Douro estiver totalmente eletrificada, processo que poderá acontecer até 2027 e que terá um custo de 74,7 milhões de euros, de acordo com um estudo técnico da Infraestruturas de Portugal (IP) de abril de 2022.

Um cenário ainda longínquo uma vez que, atualmente, só há corrente elétrica no percurso entre Porto-São Bento e Marco de Canaveses.

Segundo o Presidente da Associação Vale D'ouro, "este pressuposto não tem fundamento técnico. Pode ser uma opção política, falta de vontade em responder a este investimennto, pode ser muita coisa, mas, tecnicamente, nada implica que uma Linha esteja dependente da sua eletrificação", defende o dirigente.

Neste sentido, Luís Almeida salienta que a "região tem que reinvindicar a eletrificação e a reabertura, até porque só desta forma é que poderemos concorrer para um território, que poderá ser até o primeiro da Europa, a atingir a neutralidade carbónica". atendendo à produção de energia excedentária da região, numa perspetiva local.

Partindo deste ponto, o responsável assegura que "nao faz sentido que continuemos, numa região com saldo energético tão positivo, a manter comboios a diesel pela Linha do Douro acima", tendo em conta a vertente ambiental, mas também considerando que "com comboios de tração elétrica, que têm mais capacidade, e mais tração, podemos ter mais carruagens e mais lugares", evitando o que o Porto Canal noticiou no dia 25 de setembro, sobre a lotação de um comboio da CP que fazia a ligação Porto-Pocinho.

Assim, Luís Almeida defende que, se existir vontade e empenhamento político, a abertura do troço poderá ficar concluída num espaço de "m ano e meio, dois anos, no máximo, por ser muito fácil de se fazer. Isto porque é possível trabalhar sem limitações, dado que não há circulação".

Porto Canal

Reivindicação antiga

O regresso dos comboios a Barca d’Alva é um tema com mais de uma década de promessas, tendo sido anunciado pela então secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, no Pocinho, em 10 de setembro de 2009.

O tema passou por diversos avanços e recuos, ficando na gaveta durante vários anos. Até que a insatisfação popular reconduziu o caso em 2020, ao parlamento, através de uma petição com 13.500 assinaturas em defesa da reativação da linha até Barca d'Alva e ligação a Espanha, uma iniciativa promovida pela Liga dos Amigos do Douro Património Mundial (LADPM) e a Fundação Museu do Douro.

Resta agora aguardar pelo regresso dos comboios a esta região, tão fustigada pela luta demográfica. Investimento que poderá significar uma verdadeira lufada de ar fresco.

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