Eduardo Vítor Rodrigues defende que metro na Ponte da Arrábida "não faz sentido absolutamente nenhum"

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Porto Canal / Agências

O presidente da Câmara de Gaia disse, esta sexta-feira, compreender as dúvidas colocadas pelo homólogo do Porto sobre a nova ponte do metro, nomeadamente no que diz respeito à inserção urbanística nas margens, lembrando que nenhum dos dois pretende "remendos". No que diz respeito às alternativas que têm sido sugeridas, especialmente uma eventual inserção da futura linha Rubi na Ponte da Arrábida, o autarca gaiense considera não fazerem "sentido nenhum" e que até "iria desvirtuar aquilo que o metro significa".

"O presidente da Câmara do Porto [Rui Moreira] disse, e muito bem, que tem dúvidas sobre a ponte naquilo que é o modelo de inserção, que foi amplamente discutido nos últimos meses. Acho que é legítimo que ele diga isso, porque as certezas absolutas já nem nas ciências exatas se encontram", afirmou o presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, à margem da reunião do Conselho Metropolitano do Porto.

Em causa estão as afirmações feitas na segunda-feira à noite pelo presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, que, confrontando pelo eleito da CDU Rui Sá durante a Assembleia Municipal do Porto, disse ter dúvidas se a nova ponte do metro "é necessária".

A construção da nova ponte sobre o rio Douro para o metro, cujo projeto de conceção foi adjudicado a 03 de março ao consórcio liderado pelo Laboratório Edgar Cardoso, deverá arrancar na “primeira metade do próximo ano”.

A ponte permitirá a travessia do metro entre o Campo Alegre, no Porto, e o Candal, em Vila Nova de Gaia, “parte obrigatória” da nova linha Rubi, que está orçada em 300 milhões de euros mais IVA e ligará as estações Casa da Música a Santo Ovídio.

A construção da nova ponte sobre o rio Douro suscitou contestação por parte de moradores e da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto devido à inserção no Campo Alegre, alegando que lesava "questões de defesa da paisagem e salvaguarda patrimonial".

Aos jornalistas, Eduardo Vítor Rodrigues salientou ainda que as afirmações de Rui Moreira "não põe em causa nem a importância da linha Rubi, nem a importância da travessia", levantam, a seu ver, a exigência de "levar até ao limite a qualidade da inserção urbanística" daquela infraestrutura nas duas margens.

"Nem eu nem o presidente da Câmara do Porto queremos remendos. Nem queremos remendos como soluções como atirar o metro para cima da ponte da Arrábida e, por isso, essa solução está posta de parte, nem queremos remendos com inserções mal feitas do lado do Porto e do lado de Gaia", destacou.

Lembrando que a solução de a linha de metro ser inserida na ponte da Arrábida "já demonstrou não fazer sentido nenhum" e que tal desvirtuaria o que o metro significa, o presidente da Câmara de Gaia referiu que os "problemas" relacionados com a nova travessia decorrem da definição da altura do seu tabuleiro, que visa "proteger visualmente a ponte da Arrábida".

"Se não tivéssemos contemplado isto, hoje estariam muito críticos a atirar-se à ponte por não proteger a da Arrábida. Preso por ter cão e preso por não ter", afirmou.

E acrescentou: "sei que há quem esteja muito empenhado em que as coisas não andem para depois criticar o facto de as coisas não terem andado".

Na segunda-feira à noite, Rui Moreira, que respondia às considerações feitas pelo eleito da CDU Rui Sá de que no Porto “se brinca às pontes”, disse novamente não concordar com a “localização, bitola ou altura” da nova ponte do metro entre Gaia e Porto, no âmbito do projeto da linha Rubi.

Já na terça-feira, numa resposta enviada à Lusa, a propósito das considerações feitas pelo presidente da Câmara do Porto, o presidente da Metro do Porto, Tiago Braga, disse ter feito “questão de abrir a decisão" do projeto da nova ponte sobre o Douro à comunidade e discutido "amplamente" a solução com os municípios do Porto e Gaia.

"A nova ponte sobre o Douro, em concreto, é um projeto no qual a Metro do Porto fez questão de abrir a decisão à comunidade, discutindo amplamente com as autarquias e com a universidade, e convidando para o júri do concurso a Ordem dos Arquitetos, a Ordem dos Engenheiros, alguns dos maiores especialistas internacionais neste tipo de obras de arte, bem como representantes das câmaras municipais do Porto e de Gaia", afirmou Tiago Braga.

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