PS vai pedir pareceres sobre alterações no antigo Museu Romântico do Porto

PS vai pedir pareceres sobre alterações no antigo Museu Romântico do Porto
| Norte
Porto Canal/ Agências

O PS vai solicitar pareceres à Direção-Geral do Património Cultural, à Direção Regional de Cultura do Norte e à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte sobre as alterações do Museu Romântico no Porto.

A petição "Pela reposição dos interiores oitocentistas do Museu Romântico da Quinta da Macieirinha no Porto", que juntou 4.123 assinaturas, foi apresentada esta quarta-feira na Comissão parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto pela primeira signatária, Ana Motta Veiga, para propor, entre outras questões, a reposição da decoração interior oitocentista.

Em causa está a remodelação do antigo Museu Romântico, que reabriu portas em 28 de agosto de 2021 como Extensão do Romantismo do Museu da Cidade do Porto e cujas alterações foram criticadas por partidos políticos e cidadãos.

Defendendo que o "património não tem cor partidária", a arquiteta Ana Motta Veiga salientou a necessidade "urgente" de se rever a lei, considerando que a "desconfiguração" do museu, sucedida no Porto, "pode abrir um precedente noutras autarquias".

Aos deputados, a peticionária lembrou que, desde a reabertura do museu e, consequentemente, "indignação" dos cidadãos, foram "levados a cabo vários esforços" e solicitados diversos pareceres a entidades patrimoniais, enviada uma carta aberta do Grupo de Estudos do Romantismo, assinada por 49 profissionais e investigadores da área, uma carta aberta do Fórum de Conservadores-Restauradores, que reuniu 24 assinaturas, e pedidos de parecer à Direção-Geral do Património Cultural, à Secção do Património Arquitetónico e Arqueológico e à Rede Portuguesa de Museus, bem como solicitada uma audição com o Presidente da República.

Em resposta à arquiteta, a deputada do grupo parlamentar do PS Carla Miranda afirmou que as transformações naquele espaço "extravasaram" a logística de política cultural local e que com a "descaracterização do espaço" se perdeu, sobretudo, o caráter pedagógico.

Enquanto relatora da petição, Carla Miranda adiantou que vai pedir pronúncia à Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN) e Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) sobre as alterações do Museu Romântico e também sobre a alteração ter decorrido três anos após a realização de obras com recurso a fundos comunitários.

Pelo PSD, a deputada Fernanda Velez salientou que o museu constituía uma "fiel representação" das casas burguesas do século XIX, lamentando a sua "desconfiguração" e questionando a peticionária se a decisão camarária poderia ser considerada como "uma política de gosto lesiva para a cidade".

À Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, Ana Motta Veiga salientou que a autarquia "nunca explicou que transformação iria fazer" naquele espaço museológico, nem aos cidadãos, nem aos "deputados municipais ou Conselho Municipal de Cultura", lembrando que na cidade há "uma certa imposição para determinada forma dos projetos culturais".

"Está a haver uma monocultura na cidade, não é diversificada. É possível voltar a repor o museu? Pensamos que sim, há museus na Europa que foram completamente destruídos durante a Segunda Guerra Mundial e que foram reconstruídos. Temos as peças, os espaços e os profissionais. Temos muita informação que pode constituir uma melhoria", defendeu a peticionária.

Em resposta à Lusa, a 22 de novembro, a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) adiantou que, caso se venha verificar que o Museu da Cidade - que integra o Romântico - não cumpre os requisitos necessários à manutenção da respetiva credenciação, "pode propor o cancelamento da creditação de um museu" desde que exista o incumprimento reiterado das funções museológicas, alteração dos recursos humanos e financeiros ou modificação das instalações que se traduzam numa diminuição da qualidade ou uma restrição injustificada do acesso e visita pública.

A Câmara do Porto indicou, também em resposta escrita, em 24 de novembro, que "todo o espólio do museu foi recolhido para ser restaurado e classificado e para ser, novamente, apresentado na própria Extensão do Romantismo, quer noutros espaços do Museu da Cidade, nomeadamente na Casa Marta Ortigão Sampaio, Casa Guerra Junqueiro e Ateliê António Carneiro".

A Extensão do Romantismo do Museu da Cidade do Porto, antigo Museu Romântico, reabriu portas em 28 de agosto, com o 'Herbário' de Júlio Dinis, numa homenagem ao escritor portuense.

Instalado na Quinta da Macieirinha, a antiga casa de campo abriu como núcleo museológico em 1972 como Museu do Romântico, centrando a sua narrativa no rei do Piemonte e da Sardenha, Carlos Alberto, que, aí exilado, veio a passar os seus últimos dias.

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