O que une as claques do Benfica e Hajduk Split: os adeptos do FC Porto espancados e as juras de irmandade

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Das 154 pessoas identificadas na noite desta quarta-feira após os desacatos de Guimarães, 23 são portugueses. Fontes da polícia e adeptos do Vitória SC indicam tratarem-se de membros da claque benfiquista No Name Boys. De onde vem a ligação entre croatas e portugueses?

Nas redes sociais, cedo começaram a surgir mensagens e imagens que mostravam uma espécie de ‘preparação’ da noite em Guimarães. Com frases como “tudo preparado para invadir” e “vamos estar aí com os nossos irmãos”, adeptos benfiquistas eram vistos com cachecóis e bandeiras do Hajduk Split. No submundo do futebol, a relação entre claques é vista como uma “relação que surgiu do sangue”.

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Segundo adeptos, locais e fontes da polícia ouvidas pelo Porto Canal, os elementos dos No Name Boys estiveram sempre presentes durante os desacatos, guiando os fãs do Hajduk e indicando caminhos mais rápidos pela cidade. O jornal PÚBLICO confirmou que os croatas evitaram entrar em Portugal através do aeroporto Francisco Sá Carneiro, utilizaram viaturas descaracterizadas e cinco autocarros alugados por portugueses e conseguiram escapar ao controlo das autoridades até chegarem a Guimarães para provocar distúrbios.

As fontes da PSP ouvidas pelo jornal admitem que os meios disponíveis nesta terça-feira não eram suficientes para a ameaça croata, relembrando que o comando distrital de Braga acompanha, neste momento, três equipas de futebol que estão a disputar competições europeias.

A história de amizade entre NN e Hajduk Split começou numa eliminatória da Liga dos Campeões a 14 de setembro de 1994. O jogo entre Benfica e Hajduk, disputado na Croácia e que terminou 0-0, teve um desfecho triste. Três elementos da claque No Name Boys, de alcunhas “Gullit”, “Tino” e “Rita”, morreram num acidente de carro quando voltavam do estádio. A partir desse momento, a Torcida (claque do Hajduk) e No Name juraram ‘amizade eterna’.

Nos anos seguintes, a amizade consolidou-se, com viagens e encontros entre membros das duas claques. Foram criadas bandeiras e tarjas com os dois símbolos dos NN e Torcida. Existem cânticos comuns e até “parabéns” quando cada claque faz anos, como em março deste ano, quando a Torcida celebrou os 30 dos No Name Boys num jogo do campeonato croata, com uma tarja em português onde se lia “"30 anos de existência / 18 anos contra a legalização / Parabéns irmãos NN".

Um dos piores momentos desta relação aconteceu em agosto de 2018. Dois adeptos do FC Porto e um outro do Sporting foram agredidos quando se encontravam de férias em Hvar, no sul da Croácia.

Os três amigos, vestidos com as camisolas azuis-e-brancas, passeavam na rua quando foram abordados por membros da Torcida e outros portugueses. Os amigos foram agredidos e as camisolas do FC Porto foram rasgadas.

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Na altura, o FC Porto reagiu aos incidentes e contactou os agredidos. "O FC Porto considera que é absolutamente lamentável que adeptos de qualquer clube sejam agredidos por exibirem símbolos das equipas que apoiam", escreveram num email aos amigos portugueses. "Teremos todo o gosto, por isso, em oferecer-vos novas camisolas para substituírem as que foram vandalizadas".

Atualizado 10-08-2022 15:53 para incluir novos dados sobre planeamento logísitico dos adeptos croatas e ligações com a claque benfiquista No Name Boys

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