Proprietários de alojamentos que acolheram ucranianos estão a exigir saída. Ucranianos sentem-se "abandonados"

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Porto Canal

Em Portugal, há cada vez menos casas disponíveis para acolher refugiados ucranianos. O Porto Canal falou com um grupo de ucranianos, no Porto, e todos elogiam o acolhimento do povo português, mas dizem-se “abandonados” pelos organismos governamentais.

Portugal tornou-se casa para Tanea, o marido e os dois filhos, há já 21 anos. Agora, a família de ucranianos vai dando abrigo aos que fogem da guerra.

Vitória chegou há cerca de um mês e já arranjou emprego como costureira, mas falta encontrar alojamento.

Tanea e a filha Diana são voluntárias no movimento ‘Abraçamos Ucrânia’. O grupo, nascido no Porto, já ajudou mais de 200 refugiados ucranianos. A legalização é a parte mais fácil, já conseguir alojamento permanente é um pesadelo cada vez maior.

Quem tinha cedido habitações de férias ou alojamentos locais está agora a pedir que sejam desocupados. As poucas casas disponíveis para alugar são caras, e quem aluga exige fiadores que não sejam ucranianos.

As plataformas oficiais não conseguem responder rapidamente a todos pedidos de alojamento. Confrontado sobre as dificuldades, o Centro Nacional de Apoio à Integração de Migrantes não respondeu às questões colocadas pelo Porto canal.

Já a Secretaria de Estado da Igualdade e Migrações diz que “Em parceria com Alto Comissariado para as Migrações, tem vindo a ser mapeada uma bolsa de disponibilidades que envolve cerca de 10.000 pessoas acolhidas em respostas coletivas (1.795) e subsequentes/autónomas (8.194).

Acrescenta ainda que a maior parte das pessoas tem vindo a ser acolhida através da rede de familiares e amigos.

Ao movimento ‘Abraçamos Ucrânia’, na Igreja Evangélica Batista de Cedofeita, chegam todos os dias pedidos de ajuda. É graças a donativos da comunidade que o grupo está a pagar o aluguer de algumas habitações.

Desde o início da guerra, Portugal atribuiu mais de 40 mil pedidos de proteção temporária a refugiados da Ucrânia.

Ao Porto Canal, fonte do Ministério da Segurança Social diz que, até ao final de Maio, foram aprovados 5861 pedidos para receber Rendimento Social de Inserção, dos quais cerca de 3700 estão já a ser pagos.

É o caso de Lidia e Tetiana. Recebem quase 190 euros cada, que não chegam sequer para pagar a renda da casa que dividem. Vale a ajuda da comunidade e dos filhos que ficaram na Ucrânia.

Ainda à espera de ajuda estão Irina e o marido que chegaram a Portugal em Março.

Apesar das dificuldades e, com a guerra sem fim à vista, não perdem a esperança.

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