Renda de nó tradicional ajuda a fintar desemprego em Pinhel

| Norte
Porto Canal / Agências

Pinhel, 28 jun (Lusa) -- Após anos a trabalhar numa fábrica de calçado, uma mulher de 54 anos, residente em Alverca da Beira, Pinhel, agarrou-se à tradicional renda de nó para poder sobreviver e contornar a falta de emprego na região.

Ana Frias, depois de 16 anos na multinacional de calçado Rhode, em Pinhel, foi uma das 370 pessoas lançadas para o desemprego quando a unidade fechou, em 2006, mas assumiu-se como uma exemplo de quem não se resigna perante a falta de trabalho.

Como as alternativas não surgiram, em 2009, começou a dedicar-se à renda típica da sua terra, para contribuir para o orçamento familiar.

A decisão de ser rendilheira foi facilitada pelo facto de já ter aprendido a arte, há 25 anos, durante a frequência de um curso, patrocinado pela Câmara Municipal de Pinhel.

"Ainda estive três anos no Fundo de Desemprego, mas depois dediquei-me às rendas", disse Ana Frias à agência Lusa.

Das suas mãos saem panos, toalhas, cortinados, centros de mesa e lençóis, entre outros artigos artesanais feitos em renda.

A rendilheira "vai vendendo" peças ao longo do ano, na feira anual de Pinhel (Feira das Tradições), a pessoas do concelho e a emigrantes em França que conhecem o seu labor.

A renda de nó "dá muito trabalho, porque é tudo feito à mão", mas a mulher já não se imagina a exercer outra atividade.

"Gosto de fazer de tudo, mas leva muito tempo, porque para fazer um jogo [de panos] para um quarto, que são três peças [vendidas por 200 euros], demoro um mês e meio", indicou.

O processo é demorado e minucioso e começa com a execução de uma espécie de "rede para os peixes" em linha, que depois é colocada "num quadro de madeira, onde se faz o bordado".

A rendilheira de Alverca da Beira lamenta que as mulheres jovens não se interessem pela arte: "Não gostam. Eu tenho uma filha e ela gosta disto, mas se eu lho der [feito]. Se eu lhe disser para aprender, não quer".

"Aqui na terra ainda há umas quatro ou cinco mulheres que sabem fazer renda, mas só para elas. Eu sou a única que faço para fora", disse, com satisfação.

Das mãos das rendilheiras desta aldeia de Pinhel já saíram toalhas para Cavaco Silva (quando foi primeiro-ministro) e para Mário Soares (quando desempenhou as funções de Presidente da República).

"Eu também sempre ouvi dizer - a pessoas que já morreram - que o enxoval da rainha Dona Amélia, em renda de nó, foi todo feito em Alverca da Beira", disse Ana Frias.

A mulher aprendeu a fazer renda com Maria Alves, de 79 anos, que se orgulha de a ter ensinado.

"Aprendeu muito bem. Ela é perfeita", disse à Lusa a septuagenária, que ficou "contente" por a conterrânea se ter dedicado inteiramente ao ofício tradicional.

Aurora Feio, de 79 anos, que tem "pena" por não saber fazer renda, lembrou que antigamente todo o enxoval de noiva incluía obrigatoriamente lençóis de renda, que eram utilizados na noite do casamento.

Naquele tempo "quase todas as mulheres da terra sabiam fazer renda de nó", rematou.

ASR // JLG

Lusa/fim

+ notícias: Norte

Porto: o caos no trânsito e os cinco principais pontos críticos da cidade

O trânsito no Porto pode ser uma dor de cabeça para quem tem de atravessar a cidade. Ao longo dos anos, o número de veículos em circulação nas principais vias da cidade tem aumentado, o que faz com que a rede fique congestionada. A travessia do rio Douro é exemplo do caos que podem ser as horas de ponta, mas não é o único.

Eduardo Vítor Rodrigues defende que metro na Ponte da Arrábida "não faz sentido absolutamente nenhum"

O presidente da Câmara de Gaia disse, esta sexta-feira, compreender as dúvidas colocadas pelo homólogo do Porto sobre a nova ponte do metro, nomeadamente no que diz respeito à inserção urbanística nas margens, lembrando que nenhum dos dois pretende "remendos". No que diz respeito às alternativas que têm sido sugeridas, especialmente uma eventual inserção da futura linha Rubi na Ponte da Arrábida, o autarca gaiense considera não fazerem "sentido nenhum" e que até "iria desvirtuar aquilo que o metro significa".

Tribunal confirma condenação de comentador da BTV por insultos a Pinto da Costa

O Tribunal da Relação do Porto manteve a condenação de Pedro Abreu Rocha por insultos proferidos contra Jorge Nuno Pinto da Costa numa emissão do programa Lanças Apontadas, da Benfica TV, a 21 de novembro de 2018. O advogado foi condenado a pagar uma multa de 2.000 euros e 5.000 euros a título de indemnização.