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Rui Moreira e PSD estabelecem acordo de governação para os próximos quatro anos. Rui Rio fica de fora das negociações

| Política
Porto Canal com Lusa

O movimento do independente Rui Moreira, reeleito presidente da Câmara Municipal do Porto sem maioria, e o PSD estabeleceram um acordo de governação e acordaram medidas para os próximos quatro anos de mandato, foi hoje revelado. Ao Porto Canal Miguel Seabra, do PSD, afirmou que Rui Rio ficou de fora das negociações, chegando a perceber-se que o líder dos sociais democratas não sabia da possibilidade deste entendimento, por ser um entendimento local. Da parte do Movimento Rui Moreira, Francisco Ramos disse ao Porto Canal que as conversações "foram longas e nem sempre fáceis".

Atualizado 14-10-2021 00:15

Em comunicado, o movimento do independente Rui Moreira "Aqui Há Porto" avança hoje que o PSD, "respeitando o princípio de que quem ganha as eleições autárquicas governa", mostrou-se disponível para apoiar uma solução que incorpore algumas das principais propostas para a cidade.

A redução da carga fiscal, a transferência de competências para as freguesias, a mobilidade, a criação de uma rede de creches e a redução da fatura da água são algumas das propostas que unem o PSD e o movimento independente depois de uma "reflexão no sentido de construir uma solução de governabilidade para a cidade" entre o movimento e o PSD.

"Este acordo é feito com o objetivo de garantir a estabilidade governativa e acordar medidas para o futuro da cidade", acrescentam.

O PSD não terá representação nos pelouros do executivo, nem nas empresas municipais.

No entanto, na Assembleia Municipal, o PSD irá apresentar a candidatura de Sebastião Feyo de Azevedo, antigo reitor da Universidade do Porto, como candidato a presidente da mesa.

"Esta candidatura será subscrita e apoiada pelo Movimento Aqui Há Porto", assegura o movimento.

A mesa da Assembleia Municipal do Porto foi durante os últimos dois mandatos presidida por Miguel Pereira Leite, do movimento independente, que "não será recandidato ao cargo", afirma, citado no comunicado o presidente do "Porto, O Nosso Movimento", Francisco Ramos.

Na missiva, Francisco Ramos enaltece o trabalho que Miguel Pereira Leite desenvolveu ao serviço da cidade ao longo dos últimos oito anos na liderança daquele órgão.

Também no comunicado, o presidente do PSD do Porto, Miguel Seabra, enaltece a candidatura de Sebastião Feyo de Azevedo, "personalidade de reconhecido mérito na cidade e no país, que muito prestigiará a Assembleia Municipal e o Porto".

Sem maioria no executivo, o independente Rui Moreira foi reeleito no dia 26 de setembro presidente da Câmara do Porto, tendo o Bloco de Esquerda (BE) eleito, pela primeira vez, um vereador, enquanto o PS perdeu um e o PSD duplicou o mandato de 2017.

Segundo os dados divulgados na noite eleitoral pelo Ministério da Administração Interna (MAI), o movimento independente Rui Moreira: Aqui Há Porto! obteve 40,72% dos votos, elegendo seis vereadores, não tendo conseguido reeditar a maioria absoluta conquistada nas autárquicas de 2017.

Por seu turno, a oposição elegeu sete mandatos -- três do PS, dois do PSD e a CDU e o Bloco um cada.

Para assegurar a governabilidade da câmara, sem grandes percalços, ao longo dos próximos quatro anos bastaria que um destes vereadores se junte ao independente.

À semelhança da vereação, o independente Rui Moreira obteve 34,51% dos votos para a assembleia municipal, mas também sem maioria e perdendo um deputado.

Neste órgão, o PS perdeu três deputados (oito), o PSD ganhou três (oito), CDU, BE e PAN mantêm o número de deputados e o Chega elege o primeiro.

Também nas freguesias, o movimento independente Aqui Há Porto conquistou cinco das seis freguesias a que se candidatou.

A freguesia de Paranhos mantém-se PSD e em Campanhã o independente decidiu apoiar o socialista e atual presidente da junta, Ernesto Santos, que foi reeleito.

Nas autárquicas de 2017, o autarca Rui Moreira foi reeleito para o cargo, com maioria absoluta, tendo conquistado 44,46% dos votos e alcançado sete mandatos, contra seis da oposição: quatro do PS, um do PSD/PPM e um da CDU.

Em 2013, quando foi eleito pela primeira vez, o independente conseguiu conquistar 39,25% dos votos e seis vereadores, contra três do PS, três do PSD/PPM e um da CDU.

No Porto, foram a votos nestas eleições o Movimento independente "Rui Moreira: Aqui há Porto" -- apoiado por IL, CDS, Nós Cidadãos, MAIS -, Tiago Barbosa Ribeiro (PS), Vladimiro Feliz (PSD), Ilda Figueiredo (CDU), Sérgio Aires (BE), Bebiana Cunha (PAN), António Fonseca (Chega), Diogo Araújo Dantas (PPM), André Eira (Volt Portugal), Bruno Rebelo (Ergue-te), Diamantino Raposinho (Livre).

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