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Escrito nos interrogatórios da Polícia Judiciária que Giovani "caiu"

Escrito nos interrogatórios da Polícia Judiciária que Giovani "caiu"
| Norte
Porto Canal com Lusa

Os interrogatórios feitos pela Polícia Judiciária (PJ) imediatamente a seguir à morte de Luís Giovani mencionam que o jovem cabo-verdiano "caiu" na madrugada dos acontecimentos que levaram à morte, foi hoje evidenciado no julgamento que decorre em Bragança.

A informação surgiu durante a audição de um dos inspetores da PJ que conduziu o início do processo em que está em causa se o jovem de 21 anos morreu de uma queda ou de agressão numa contenda, na madrugada de 21 de dezembro de 2019.

A acusação diz que o traumatismo na cabeça que provocou a morte a Giovani resultou de uma alegada agressão com um pau e acusou sete jovens de Bragança de homicídio qualificado, enquanto a defesa dos arguidos tem sido sustentada na hipótese de o ferimento resultar de uma queda numas escadas.

A versão da queda nas escadas consta nos documentos dos interrogatórios aos amigos que acompanhavam Giovani, naquela madrugada, feitos pela PJ, em janeiro de 2020, imediatamente a seguir à morte do jovem, que ocorreu a 31 de dezembro de 2019.

Nos relatórios da PJ está escrito que foi relatado que Giuvani se terá "desorientado e caiu".

O inspetor que testemunhou hoje disse que já não se lembra se foi "caiu" ou "tropeçou" o que lhe disseram.

O uso do termo "tropeçou" por parte do inspetor causou estranheza ao juiz-presidente do coletivo que está a julgar o caso, já que foi o que os amigos e a parte que representa Giovani passaram a usar no julgamento, que começou em fevereiro, em Bragança.

A queda é também referenciada no relatório da autópsia, que foi inconclusiva relativamente à causa da morte, indicando que o traumatismo cranioencefálico pode ter resultado de uma pancada ou de cair desamparado no chão, onde foi encontrado sozinho e inconsciente.

"Como é que perderam o Giovani?" foi a pergunta feita várias vezes pelo juiz-presidente aos três cabo-verdianos que acompanhavam o jovem, e que são ofendidos no processo, e para a qual ainda não houve resposta.

A versão inicial do caso dava conta de que os quatro jovens cabo-verdianos tinham sido agredidos com "paus, cintos e uma soqueira" por um grupo de "15 a 20 homens" que lhe teriam feito uma espera à saída de um bar, onde terá ocorrido um desentendimento.

O Ministério Público descreve na acusação que foram os cabo-verdianos que iniciaram a briga na rua e que os arguidos se juntaram e os agrediram.

No julgamento tem sido relatado que houve uma contenda entre jovens cabo-verdianos e de Bragança no bar, que não envolveu Giovani.

O grupo do jovem foi o último a sair do bar e dirigiu-se para a Av. Sá Carneiro, onde se cruzou com um dos elementos de Bragança, que não está entre os arguidos, e a quem um dos cabo-vderdianos terá dado um murro.

Segundo os testemunhos, terá sido assim que começaram as agressões físicas, que juntaram outros amigos e conhecidos do elemento de Bragança, um deles munido com um pau, com o qual a acusação alega que Giovani foi atingido na cabeça.

Os amigos de Giovani dizem ter conseguido fugir e desceram umas escadas, mais à frente, onde inicialmente foi referido que o jovem caiu e bateu com a cabeça num corrimão e, mais recentemente, que tropeçou, mas não chegou a cair.

Segundo testemunhos ouvidos no julgamento, Giovani foi visto com os amigos naquela zona a queixar-se de dores na cabeça e depois, mais à frente, a caminhar sozinho.

O jovem foi encontrado caído e inconsciente na mesma avenida, mas a centenas de metros do local da contenda.

O alerta para os bombeiros foi dado para um caso de embriaguez e só depois de examinar o jovem é que se aperceberam do ferimento na cabeça.

Luis Giovani não tinha sangue nem qualquer outro ferimento no corpo, segundo testemunhou o médico que o socorreu na Urgência do hospital de Bragança e que alertou a Polícia para a possibilidade de se estar perante um caso de agressão.

Luís Giovani entrou em coma e foi transferido para um hospital do Porto onde morreu 10 dias depois.

A PJ deteve primeiro quatro suspeitos e depois mais três, na época com idades entre 22 e 45 anos, que acabaram acusados pelo Ministério Público de homicídio qualificado consumado, em relação a Giovani, e homicídio na forma tentada, relativamente aos outros três cabo-verdianos.

Os arguidos pediram a abertura da instrução que culminou com a decisão de os levar a julgamento pelo crime de homicídio relativamente a Giovani e a atenuação para ofensa à integridade física, em relação aos restantes queixosos.

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