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"Não é com pavilhões nem com auditórios" que a população vai crescer

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Porto Canal com Lusa

Porto, 28 jul 2021 (Lusa) -- O presidente da Área Metropolitana do Porto (AMP), Eduardo Vítor Rodrigues, assume que "não são surpreendentes" os dados dos Censos 2021, hoje divulgados, sublinhando que "não é com pavilhões nem com auditórios" que a população vai crescer.

"São dados que não são surpreendentes. O país vive há duas décadas num lento, mas estrutural processo de concentração urbana nas duas áreas metropolitanas [Lisboa e Porto]. Mas dentro das áreas metropolitanas, vivem muitos dos mesmos dualismos que sentimos no próprio país, entre as áreas metropolitanas e o resto do país", afirmou Vítor Rodrigues.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da AMP refere que há igualmente o dualismo das cidades centrais (Lisboa e Porto) que perderam população, o que significa, segundo o também presidente da câmara de Gaia, "o reforço da tendência, do designado, efeito 'donut'", a que se assiste há décadas.

"E depois [há] o crescimento de um primeiro anel periférico, onde está Vila Nova de Gaia, que se percebe que ainda vai crescendo, mais do que à custa da natalidade, à custa das migrações internas que vão existindo e que vão acabando por decorrer do próprio esvaziamento dos centros urbanos", afirmou o autarca.

Segundo o presidente da AMP, há depois "um terceiro anel, que é o anel de todos os outros municípios, que estão em perda" de população.

"Só temos possibilidades de ver crescer a população se tivermos estratégias consolidadas de atratividade de população autóctone, nossa, portuguesa, que circula, que vai para um concelho do interior ou da periferia, [não] porque tem lá mais um pavilhão ou um auditório, [mas] porque há emprego, há boas condições de vida, há qualidade de vida", defendeu Vítor Rodrigues.

O presidente da AMP entende que o facto de Lisboa e do Porto perderem população devia levar a questionar "o modelo de desenvolvimento" atual e pede que seja feita uma reflexão.

"Porque razão é que todas as faculdades de uma universidade têm de estar no centro das áreas metropolitanas? Porque razão é que o terciário tem de estar todo concentrado no centro das áreas metropolitanas? É uma reflexão que se fará melhor quando houver regionalização", declarou o presidente da AMP.

Na Área Metropolitana de Lisboa, que tem 2.871.133 (mais 49.257 habitantes do que há dez anos), apenas quatro dos 18 municípios da região perderam população (Amadora, Lisboa, Barreiro e Oeiras), enquanto no Porto, com 1.737.395 habitantes (menos 22.129), só cinco dos 17 municípios evitaram a quebra.

O distrito do Porto perdeu na última década 30.519 habitantes em 13 dos 18 municípios, sobretudo em Baião, Amarante e Marco de Canaveses, mas também no concelho do Porto, que tem menos 5.629 residentes.

O concelho do Porto, capital de distrito, perdeu 2,4% da população: passou de 237.591 residentes em 2011 para 231.962 em 2021, o que representa uma diminuição de 5.629 habitantes.

Portugal tem 10.347.892 residentes, menos 214.286 do que em 2011, segundo os resultados preliminares dos censos 2021, hoje divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Trata-se de uma quebra de 2% relativamente a 2011, consequência de um saldo natural negativo (-250.066 pessoas, segundo os dados provisórios).

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