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Deputado nega influenciar Governo e admite erros de previsões sobre pandemia no Brasil

| Mundo
Porto Canal com Lusa

São Paulo, 22 jun 2021 (Lusa) -- O deputado Osmar Terra, apontado como membro de um suposto 'gabinete paralelo' que aconselhava o Presidente do Brasil em políticas e medicamentos sem eficácia contra a covid-19, negou influenciar o governante, admitindo que errou em previsões sobre a pandemia.

Em depoimento à comissão parlamentar de inquérito (CPI) do Senado que investiga a resposta das autoridades brasileiras à crise sanitária causada pela pandemia do novo coronavírus, o parlamentar alegou: "Não existe este gabinete [paralelo]. Isto é uma ficção".

"Todos os Presidentes, até hoje tiveram, se aconselham com alguém (...) O que eu faço é manifestar a minha opinião", acrescentou Terra, ao ser questionado se influenciou decisões do Presidente Jair Bolsonaro, que também relativizou o perigo da covid-19, sugeriu que a imunidade de grupo por contaminação terminaria com a pandemia, e defendeu o uso de remédios sem eficácia como a cloroquina, azitromicina e ivermectina para combater a doença.

Osmar Terra, que além de deputado federal é médico, ocupou o cargo de ministro da Cidadania no Governo Bolsonaro de janeiro de 2019 até fevereiro de 2020.

Após ser demitido, o parlamentar continuou muito próximo do governante brasileiro e é apontado como integrante do suposto 'gabinete paralelo' que terá influenciado as políticas de saúde adotadas no Brasil durante a pandemia, alvo de interesse e investigação da CPI da covid-19.

O parlamentar ficou conhecido no Brasil por emitir em entrevistas na comunicação social, publicações, mensagens e vídeos nas redes sociais dezenas de previsões que falharam sobre o desenvolvimento da pandemia no país.

O relator da CPI, senador Renan Calheiros, exibiu uma série de vídeos com declarações erradas de Terra, nomeadamente previsões sobre o fim da pandemia, declarações sobre mortalidade - defendeu publicamente que morreriam menos de duas mil pessoas no Brasil - e também afirmou que o país não seria atingido por uma segunda vaga de infeções, o que aconteceu em janeiro deste ano.

O parlamentar reconheceu que errou, mas argumentou que elaborou suas projeções com base nos dados disponíveis na época e também nas informações de epidemias anteriores.

Questionado pelos senadores, Terra afirmou à CPI que não defendeu a tese de imunização de grupo por contaminação, alegação colocada em causa por vídeos exibidos no depoimento com declarações suas sobre a pandemia.

Apesar de negar adesão a esta tese, Terra defendeu em diversos momentos que a chamada 'imunidade de grupo' seria consequência natural da pandemia com a soma da vacinação e da imunidade produzida após contacto com a doença.

Sem apresentar dados ou provas, o deputado afirmou que as medidas de isolamento social como o confinamento não funcionam e não ajudaram a poupar vidas.

O parlamentar também defendeu o uso de medicamentos sem eficácia conta a covid-19, como cloroquina, azitromicina e ivermectina, que fazem parte do chamado 'tratamento precoce' defendido por Bolsonaro e outros elementos ligados ao Governo brasileiro.

Quando foi inquirido sobre o assunto pelo presidente da CPI, senador Omar Aziz, o deputado contou que foi infetado pela covid-19 e acabou internado numa unidade de tratamento intensivo em novembro passado depois de ter 80% do pulmão comprometido.

Aziz perguntou se Terra tomou cloroquina quando foi contaminado, que disse que sim. O presidente da CPI lembrou que à época do seu internamento já havia muitos estudos científicos e que Organização Mundial da Saúde já havia descartado a eficácia do uso deste e de outros medicamentos do chamado 'tratamento precoce'.

Aziz também perguntou se no hospital onde o parlamentar foi internado lhe foi receitado cloroquina, tendo como resposta que não. Neste ponto, o presidente da CPI concluiu que a medicação que Terra defende e diz que usou quando foi diagnosticado não o ajudou em nada.

Aziz concluiu que Terra ficou em estado grave e só se salvou porque teve acesso a um bom hospital onde recebeu o tratamento correto.

O Brasil é o país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo ao contabilizar 502.586 vítimas mortais e mais de 17,9 milhões de casos confirmados de covid-19.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 3.875.359 mortos no mundo, resultantes de mais de 178,6 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença respiratória é provocada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

CYR // LFS

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