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Covid-19: Cônsul português em Manaus, Brasil, preocupado com comunidade portuguesa

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Porto Canal com Lusa

São Paulo, 16 jan 2021 (Lusa) -- O cônsul honorário de Portugal em Manaus, António Humberto de Matos Figueiredo, mostrou-se hoje preocupado coma situação da comunidade portuguesa na capital regional do Amazonas, Brasil, devido ao impacto dramático da pandemia de covid-19.

"A situação da comunidade portuguesa em Manaus, no Amazonas, em geral, é bem preocupante. As pessoas estão com dificuldade, todos nós temos medo desta doença, deste vírus, que está a espalhar aqui de forma rápida novamente", contou Matos Figueiredo em entrevista à Lusa.

"Nós temos aqui o hospital Beneficente Português do Amazonas, de 147 anos, uma instituição criada pela comunidade que ajuda bastante todos os portugueses que estão procurando atendimento. Até o momento não temos informação sobre ninguém [da comunidade] que esteja desassistido", acrescentou.

Os hospitais da cidade amazónica de Manaus estão perto do colapso principalmente porque faltam consumíveis básicos como oxigénio para atender pacientes internados em estado grave com covid-19, que precisam assistência mecânica para respirar.

Na segunda-feira, fizeram eco mundial vídeos de funcionários hospitalares a relatar mortes provocadas pela falta de cilindros de oxigénio e de camas para doentes em Manaus.

O Governo brasileiro anunciou na manhã de sexta-feira que 235 pacientes internados na cidade amazónica deverão ser transferidos para hospitais de outros estados em voos da Força Aérea Brasileira (FAB).

"Estamos preocupados, mas serenos e tentando de todas as maneiras fugir deste contágio para não ficarmos doentes (...) Entrei em contacto com o presidente do hospital beneficente português e a única demanda que recebemos, que estão mesmo precisando, é por oxigénio", frisou o cônsul honorário do Governo português em Manaus.

"Como se sabe, a demanda por oxigénio está a ser maior do que a oferta. Em Manaus temos duas fábricas que produzem oxigénio só que elas não conseguem atender toda a demanda hospitalar devido à grande afluência de doentes nos hospitais. Vamos ver no que podemos ajudar. Há muitos empresários da comunidade portuguesa e nos interessa ajudar, especialmente o hospital português", completou.

Matos Figueiredo contou que tem transmitido informações sobre a comunidade portuguesa e luso-brasileira em Manaus, composta por cerca de 5 mil pessoas, para autoridades do consulado de Portugal em Belém, cidade localizada no estado do Pará, também na região amazónica.

"Temos falado todos os dias com a vice-cônsul de Belém. Ela tem conhecimento de toda a situação. Embora preocupante, a situação não é desesperadora ainda", e "sabemos que a melhor maneira para fazer isto é isolar-se e não se contagiar", destacou o cônsul honorário.

O representante do Governo português em Manaus salientou que na cidade e no resto do Brasil não houve uma política de isolamento social satisfatória e agora a sociedade paga um preço alto pelas pessoas que ficaram nas ruas, sem distanciamento, e que se contagiaram.

"Manaus foi a primeira cidade muito contagiada no Brasil, infelizmente, espero que não, mas acho que este contágio irá atingir outras cidades por aqui", ponderou.

Questionado sobre a nova estirpe do novo coronavírus detetada na região amazónica do Brasil, que pode ser mais contagiosa do que outras variantes do vírus, o cônsul honorário repetiu que a comunidade portuguesa está em alerta.

"Todos nós estamos preocupados. Esta variante, ao que parece, é tão contagiosa como as outras e faz isto de forma bem mais rápida. Ela não é mais perigosa, segundo o que dizem os especialistas, mas seu contágio é mais rápido e, portanto, vão ter mais doentes rapidamente. Isto já está a acontecer em Manaus", concluiu.

O total de casos confirmados de covid-19 no Amazonas é de 223.360, segundo dados da Fundação de Vigilância em Saúde do estado do Amazonas. O número de mortes no estado chegou 5.930, segundo a mesma fonte de informação.

Na quinta-feira, Manaus voltou a bater o recorde de internações diárias por covid-19 com 254 novas hospitalizações no capital, número mais alto registado no estado desde o início da pandemia.

Questionado sobre a proibição de voos ligando Brasil e Portugal ao Reino Unido, anunciada pelo governo britânico em razão desta nova estirpe do novo coronavírus do Brasil, o cônsul honorário considerou a medida excessiva porque os viajantes precisam fazer testes antes de embarcar.

CYR // PJA

Lusa/Fim

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