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Covid-19: Medicamento experimental à base de células estaminais está pronto a usar

| País
Porto Canal com Lusa

Cantanhede, Coimbra, 13 nov 2020 (Lusa) - A Crioestaminal anunciou hoje ter concluído o desenvolvimento de um medicamento experimental à base de células estaminais do cordão umbilical expandidas para tratar doentes mais graves com covid-19, que se encontra disponível para utilização hospitalar.

Sediada no Biocant Park, em Cantanhede, a empresa tem já pronto o primeiro lote do medicamento experimental (SLCTmsc02), abrindo caminho à sua utilização como tratamento experimental em contexto hospitalar.

"O medicamento experimental surge como uma solução terapêutica para tratar doentes com covid-19 em situação grave. A utilização deste tipo de células está já a ser testada noutros países com resultados muito promissores. Não podíamos deixar de tentar desenvolver este tipo de terapia em Portugal", justificou o diretor geral da Crioestaminal, André Gomes.

Este medicamento experimental é constituído por doses de 100 milhões de células estaminais mesenquimais (MSCs, na sigla inglesa) do tecido do cordão umbilical, tendo as primeiras doses sido submetidas aos controlos de qualidade que permitiram a validação de todo o processo e a qualificação do mesmo como terapia experimental.

Segundo André Gomes, "este medicamento experimental foi desenvolvido, em tempo recorde, na nova unidade de produção de medicamentos de terapia celular da Crioestaminal" e resultou do esforço da equipa de técnicos e investigadores da empresa ao longo dos últimos meses.

"Estamos, neste momento, em condições de produzir cerca de duas dezenas de doses por semana, com a possibilidade de expandir a produção, se necessário", garantiu.

A empresa explica, em comunicado, que "a utilização deste tipo de células para tratar doentes com pneumonias graves associadas à covid-19 tem vindo a ser testada na China, EUA e alguns países europeus, estando em curso mais de 20 ensaios clínicos para estudar de forma alargada a segurança e eficácias desta terapia".

"Resultados de estudos clínicos recentes revelaram uma reversão notável dos sintomas, com melhoria significativa da função pulmonar e de outros sintomas dos doentes em estado mais grave, com redução do tempo de internamento em cuidados intensivos", acrescenta.

No seu entender, "apesar de estes estudos terem sido conduzidos num número ainda restrito de doentes, os resultados favoráveis obtidos sugerem que as MSCs do tecido do cordão umbilical podem constituir uma nova estratégia terapêutica para o tratamento desta doença".

O medicamento "tem ainda outras aplicações na área da regulação do sistema imunitário, nomeadamente no tratamento de doentes transplantados com medula óssea que desenvolvam uma forma grave da doença do enxerto contra o hospedeiro", acrescenta.

Neste âmbito, o uso do SLCTmsc02 foi já autorizado pelo Infarmed para aplicação clínica no Instituto Português de Oncologia de Lisboa.

Segundo a Crioestaminal, a inauguração da sua nova unidade de produção, este ano, no Biocant Park, "veio permitir não só a produção deste medicamento experimental, como outros para ensaios clínicos e terapias experimentais em diversas áreas da medicina, com a possibilidade de integração em consórcios internacionais na área das terapias celulares".

"O projeto, que representa um investimento de um milhão de euros e pretende ser referência na Europa, tem como objetivo a produção deste tipo de medicamentos e a exploração do potencial terapêutico das células estaminais, quer das células estaminais mesenquimais do tecido do cordão umbilical, em doenças autoimunes, quer das células do sangue do cordão umbilical na área da pediatria do desenvolvimento", acrescenta.

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.285.160 mortos em mais de 52,1 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 3.181 pessoas dos 198.011 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

 

AMF // JEF

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