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Covid-19: Produtores de Cereja do Fundão com novos cuidados na colheita em cenário de incerteza

| País
Porto Canal com Lusa

Fundão, Castelo Branco, 04 abr 2020 (Lusa) - Os produtores de cereja do Fundão estão preocupados com a "incerteza" da campanha que se aproxima, devido à covid-19, pandemia que também vai obrigar a novos procedimentos na apanha e a mais distanciamento entre trabalhadores.

Em declarações à agência Lusa, alguns produtores apontam o momento de "incerteza e incógnita" que se vive em Portugal, para destacar que esta é a maior preocupação com que se deparam, numa altura em que já se planeia a campanha que deve arrancar dentro de aproximadamente três a quatro semanas.

"Ninguém sabe como é que isto vai evoluir. Se nos acontece como àqueles produtores de morango que estão a ter problemas em escoar ou, pior, se a doença cá chega. Este ano vai ser difícil", resume Alberto Mendes, produtor de cereja.

Almério Oliveira, outro produtor frutícola do concelho, usa a palavra "incógnita" para definir o modo como olha para a campanha que está perto.

"Ainda não sabemos com o que contar, porque ninguém sabe o que vai acontecer nos próximos dias. Temos sempre a incerteza do tempo e agora a incerteza da pandemia", refere.

Com contratos assegurados com cadeias de grandes superfícies comerciais, "à partida", Almério Oliveira tem asseguradas as linhas de escoamento, mas não deixa de olhar com apreensão para a perda de poder de compra provocada pela pandemia.

Os preparativos para a apanha do fruto também merecem outra atenção este ano e há novos procedimentos que serão adotados face à pandemia, como, por exemplo, o distanciamento entre trabalhadores.

"Vou dividir ainda mais os grupos. Evitar que se juntem e fazer com que as equipas andem desencontradas", aponta este fruticultor que, no pico da campanha, tem entre 30 a 40 trabalhadores.

No que toca aos cuidados a ter com o próprio produto, Almério Oliveira diz que esse é o campo onde há menos desconhecimento, dado as apertadas regras de segurança alimentar que já segue.

Um aspeto que é também sublinhado pelo presidente da Cerfundão, organização de produtores e comercialização de cereja, que lembra que não há razão para receio, porque o caminho da segurança alimentar já está feito.

"Cumprimos os protocolos de segurança alimentar ingleses que são os mais rígidos. E, nesse aspeto, não teremos alterações significativas, porque as regras de certificação que seguimos são apertadíssimas", sublinhou José Pinto Castello Branco.

Nesta organização, a principal alteração implementada está relacionada com a venda que este ano terá de ser totalmente embalada para evitar manipulação.

Ao nível do escoamento, a preocupação também ainda não se põe, dado que a Cerfundão trabalha essencialmente para o mercado nacional e os clientes "têm estado a dar uma resposta positiva".

Ainda assim, este responsável, que também é produtor de cereja, lembra que se está a trabalhar num cenário de incerteza em que não se sabe ao certo "com o que se pode contar", quando é certo que as árvores não podem deixar de ser colhidas neste curto espaço de tempo.

No que concerne aos próprios pomares, este produtor está preparado para adotar medidas extraordinárias e de "bom senso".

Entre os "procedimentos caseiros", aponta o distanciamento entre trabalhadores com cerejeiras de intervalo e com um a dois no máximo em cada árvore e a desinfeção das mãos e de algum material.

Nas pausas de almoço, as pessoas terão de ficar dispersas e a forma como se faz o acesso à máquina do café está a ser igualmente repensada.

Patrique Martins, outro produtor, também lembra que nesta altura todo o cuidado é pouco: "Vamos ter de dar o máximo espaço que se possa entre as cerejeiras e vamos ter lavar as mãos regularmente e seguir as recomendações", diz.

O Fundão, no distrito de Castelo Branco, tem atualmente entre 2.000 a 2.500 hectares de pomares de cerejeiras, área que tem vindo a crescer todos os anos e que leva que este concelho seja considerado uma das maiores zonas de produção de cereja a nível nacional.

CYC // SSS

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