Covid-19: Governo diz que mecenas têm liberdade de escolha sobre destino das doações

| Política
Porto Canal com Lusa

Porto, 21 mar 2020 (Lusa) - O Ministério da Saúde esclareceu hoje que todos os mecenas, incluindo a Galp, têm liberdade de escolha sobre o destino das doações, depois de a Área Metropolitana do Porto pedir uma clarificação sobre o "desvio" de ventiladores para Lisboa.

"Todos os mecenas, incluindo a Galp, têm liberdade de escolha sobre o destino das doações que realizam", afirma a tutela em resposta hoje à agência Lusa.

O ministério salienta ainda que "apenas nos casos em que o destino não seja especificado será a tutela, baseada em critério técnicos e de necessidade, a escolher o destino das doações".

O presidente da Área Metropolitana do Porto (AMP), Eduardo Vítor Rodrigues, revelou na sexta-feira que ia pedir que o Ministério da Saúde clarificasse se é verdade que os ventiladores oferecidos pela Galp foram desviados para Lisboa, como foi denunciado pelo presidente da Câmara do Porto.

"Fui incumbido de clarificar junto do ministério esta situação e tentar, caso se confirme, repor os direitos da região norte", afirmou Eduardo Vítor Rodrigues, em declarações à Lusa na sexta-feira.

Então, o presidente da AMP explicou que a denúncia foi feita pelo presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, numa reunião informal realizada com os autarcas do Grande Porto para discutir estratégias metropolitanas para lidar com o surto da covid-19 na região.

Segundo aquele responsável, Moreira revelou que, de acordo com fonte do Hospital de Santo António, os ventiladores oferecidos pela Galp foram "desviados" para Lisboa pelo Ministério da Saúde, informação que surpreendeu todos os que participaram na reunião desse dia.

Nesse sentido, e por proposta do autarca do Porto, Eduardo Vítor Rodrigues ficou incumbido de perceber junto da tutela a veracidade do que foi denunciado.

Questionada pela Lusa, a Câmara do Porto que não quis fazer qualquer comentário.

A Lusa solicitou ainda esclarecimentos junto do Hospital de Santo António, mas até ao momento sem sucesso.

A Galp anunciou na sexta-feira que vai oferecer 29 ventiladores a hospitais públicos para ajudar a cuidar de doentes infetados com o novo coronavírus.

De acordo com uma nota de imprensa da empresa, a Galp desenvolveu, em articulação com entidades nacionais como a Direção-Geral da Saúde (DGS), o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), um pacote de medidas de apoio ao combate à covid-19.

No imediato, a Galp e a sua Fundação vão disponibilizar 29 ventiladores a hospitais do SNS numa tentativa de reduzir a escassez deste tipo de equipamentos, para utilização imediata.

Entre outras iniciativas, a Galp disponibilizou ainda com efeitos imediatos apoio em combustível aos veículos do INEM, incluindo as ambulâncias que transportam doentes infetados e as viaturas das equipas que se têm multiplicado nas deslocações para recolha domiciliária de amostras para análise.

Portugal elevou hoje para 12 o número de mortes associadas ao vírus da covid-19, segundo o boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS), que regista 1.280 casos confirmados de infeção.

Estão confirmadas quatro mortes na região Norte, quatro na região Centro, três na região de Lisboa e Vale do Tejo e uma no Algarve, precisa o boletim epidemiológico divulgado hoje, com dados referentes até às 24:00 de sexta-feira.

Portugal encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de quinta-feira.

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