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Covid-19: Governo timorense vai atuar de forma faseada para minimizar riscos

| Mundo
Porto Canal com Lusa

Díli, 18 mar 2020 (Lusa) -- O Governo timorense vai manter, por enquanto, as fronteiras abertas, mesmo aprovando restrições adicionais, numa ação faseada que pretende minimizar os riscos da pandemia Covid-19, disse um dos membros do executivo.

"O Governo é da opinião que para um país como Timor-Leste, com a situação e as condições que tem, é imperativo apostar mais nas medidas preventivas", disse à Lusa o ministro da Reforma Legislativa e Assuntos Parlamentares timorense, Fidelis Magalhães.

"Nesse sentido, as decisões feitas contribuirão para o esforço global do Governo", referiu.

O governante falava à Lusa depois da reunião do Conselho de Ministros, na qual foram debatidas várias questões associadas com a epidemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2), particularmente relacionadas com a eventual declaração do estado de emergência, pedida ao Presidente de Timor-Leste.

Questionado sobre as restrições adicionais, Fidelis Magalhães disse que se trata de minimizar o risco de quem entra e de minimizar o risco de quem já está no país, insistindo que deve ser feita uma aplicação "faseada" das medidas. Timor-Leste mantém-se sem casos cofirmados da Covid-19.

"Já temos casos em muitos países e o que temos que fazer dentro da situação" é optar por "uma escalada racional e proporcional das decisões que devem ser tomadas, com base na informação das Nações Unidas e de países na região e no mundo", sublinhou.

"Ainda não fechámos as fronteiras, nem sequer propusemos um isolamento obrigatório. Ainda não chegámos a essa fase. De acordo com o plano de contingência deve haver níveis de atuação", salientou.

Fidelis Magalhães afirmou que o Governo tem de distinguir entre "a infeção dos que vêm de fora, com uma eventual infeção nas pessoas que não saem do país".

Por esta razão, a declaração do estado de emergência permitiria "adotar caso necessário medidas mais duras", podendo "mobilizar melhor e impor uma disciplina mais drástica e imediata na população", mas sempre "faseadamente", considerou.

De acordo com o comunicado divulgado no final do Conselho de Ministros, "foram apresentadas as várias medidas em curso para prevenção e controlo do coronavírus, nomeadamente a formação dos profissionais de saúde de todo o país, atividades de sensibilização da população, compra de ventiladores, preparação dos locais de isolamento e dos centros hospitalares, triagem de saúde nos postos fronteiriços, entre outras", indicou.

Sem elaborar, a mesma nota referiu que "foram ainda debatidas várias medidas extraordinárias a serem aplicadas com o objetivo de conter o surto, dependentes da declaração do estado de emergência".

Antes, fonte do executivo disse à Lusa que o Governo está a estudar um agravamento das restrições nas entradas de pessoas que tenham estado num dos 140 países com casos declarados de Covid-19.

Essa medida impediria qualquer viagem dos três países com ligações aéreas com Timor-Leste, nomeadamente Austrália, Indonésia e Singapura, todos com casos declarados do novo coronavírus.

Ainda durante o Conselho de Ministros, Fidelis Magalhães fez uma apresentação sobre a situação da economia e da reserva de alimentos no país.

"Os dados apresentados sobre artigos essenciais, nomeadamente o arroz, o trigo e o combustível, indicam que existem reservas suficientes em território nacional para vários meses, não havendo risco de rutura de 'stock'", destacou o comunicado do Governo.

"Estão também a ser criadas medidas para combater a especulação de preços e o açambarcamento de produtos. O Governo está também a proceder à compra de cerca de 70 mil toneladas de arroz para aumentar a reserva nacional", indicou o mesmo comunicado.

O coronavírus responsável pela pandemia da Covid-19 infetou mais de 189 mil pessoas, das quais mais de 7.800 morreram.

Das pessoas infetadas em todo o mundo, mais de 81 mil recuperaram da doença. 

O surto começou na China, em dezembro, e espalhou-se por mais de 146 países e territórios, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Os países mais afetados depois da China são a Itália, com 2.503 mortes para 31.506 casos, o Irão, com 988 mortes (16.169 casos), a Espanha, com 491 mortes (11.178 casos) e a França com 148 mortes (6.633 casos).

Face ao avanço da pandemia, vários países adotaram medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena e o encerramento de fronteiras.

ASP // EJ

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