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Covid-19: Governo quer envolver respostas sociais nas refeições de alunos carenciados

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Porto Canal com Lusa

O Governo sugere às escolas que falem com as autarquias para que seja encontrada uma solução junto das respostas sociais locais para os alunos cuja refeição escolar é indispensável, disse hoje no Porto o ministro da Educação.

Atualizado 14-03-2020 15:08

Tiago Brandão Rodrigues falava no final da reunião com os representantes da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP) e da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), na sequência das medidas extraordinárias decididas pelo Governo relativas ao surto provocado pelo novo coronavírus.

O Ministério da Educação enviou hoje uma comunicação a todas as escolas com algumas orientações gerais sobre a suspensão das atividades com alunos entre 16 de março e 13 de abril, uma das medidas decidida na quinta-feira pelo Governo para tentar controlar a disseminação do novo coronavírus.

"Sabemos que não são muitos os alunos nessa situação. O que pedimos às direções das escolas e estamos a trabalhar para, de certa forma, poder acautelar essa resposta, é que trabalhem com as respostas sociais que existem, com as autarquias, para identificar casos que possam existir, situações excecionais, em que a refeição escolar é absolutamente essencial", disse o ministro.

O Governo anunciou a suspensão das aulas nas próximas duas semanas como forma de evitar a propagação da Covid-19, tendo na reunião de hoje com as duas associações "explicado as medidas" que saíram da reunião do Conselho de Ministros que decorreu na quinta-feira.

"Não consigo precisar quantos alunos estamos a falar. Sei que numa pausa letiva no ano passado tivemos 50 mil refeições, que devem ser divididas pelas 5.200 escolas que o país tem", disse o ministro, que estima que "sejam poucas as escolas em que o número de alunos a necessitar dessas refeições atinjam a dezena de casos".

Tiago Brandão Rodrigues referiu-se ainda à atividade dos professores e pessoal não docente durante o período de suspensão das aulas.

"Acreditando muito na autonomia das escolas, lançámos um conjunto de orientações relativamente a questões administrativas, pedagógicas e curriculares para serem acauteladas e pedimos às direções das escolas que exista, pelo menos, uma equipa em cada uma delas para assegurar a vigilância e a manutenção", explicou o ministro.

E prosseguiu: "Nunca nos podemos esquecer que temos o dia depois de tudo isto acabar e as escolas têm de ser mantidas, têm de estar seguras e há também os procedimentos administrativos que, pelo menos por agora, não podem ser feitos remotamente e também para assinalar de situações excecionais, como as refeições escolares".

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) atualizou hoje o número de infetados, que registou o maior aumento num dia (34), ao passar de 78 para 112, dos quais 107 estão internados.

A região Norte continua a ter o maior número de casos confirmados (53), seguida da Grande Lisboa, cujo registo duplicou para 46, enquanto as regiões Centro e do Algarve têm cada uma seis casos confirmados. Além destas há um caso assinalado pela DGS no estrangeiro.

O boletim epidemiológico assinala também que, desde o início da epidemia, a DGS registou 1.308 casos suspeitos (mais de o dobro em relação a quinta-feira) e mantém 5.674 contactos em vigilância.

Várias universidades e outras escolas já tinham decidido suspender as atividades letivas presenciais.

O Governo decidiu também declarar o estado de alerta em todo o país, colocando os meios de proteção civil e as forças e serviços de segurança em prontidão.

A restrição de funcionamento de discotecas e similares, a proibição do desembarque de passageiros de navios de cruzeiro, exceto dos residentes em Portugal, a suspensão de visitas a lares em todo o território nacional e o estabelecimento de limitações de frequência nos centros comerciais e supermercados para assegurar possibilidade de manter distância de segurança foram outras das medidas aprovadas.

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